Uma nuvem fora do comum em Marte foi a escolhida da Astronomy Picture of the Day (APOD), a imagem astronômica do dia publicada pela NASA, em 2 de novembro de 2026. Ela é conhecida como Nuvem Alongada de Arsia Mons, ou AMEC, sigla do nome em inglês (Arsia Mons Elongated Cloud). O que chama a atenção é o formato: uma faixa estreita e comprida que começa nas proximidades do vulcão Arsia Mons e pode se estender por mais de 1.500 quilômetros sobre a superfície do planeta vermelho.
A foto apresentada é de 2018 e foi obtida pela sonda robótica Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA). Os créditos da imagem são da ESA, do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) e da Universidade Livre de Berlim (FU Berlin), com processamento de J. Cowart.
Um fenômeno observado desde os anos 1970
A nuvem não é uma descoberta recente. O primeiro registro foi feito em 1977 pela Viking Orbiter 2, nave da NASA que estudou Marte a partir da órbita. Desde então, o fenômeno voltou a ser fotografado, e a Mars Express conseguiu imagens com nível de detalhe bem maior que o das primeiras observações.
A AMEC tem um comportamento bastante específico. Segundo a explicação publicada pela APOD, ela:
- aparece apenas durante a primavera e o verão marcianos;
- forma-se somente no período da manhã;
- é composta de gelo de água;
- surge perto do vulcão Arsia Mons e depois é arrastada pelo vento, formando uma longa cauda.
Esse último ponto ajuda a entender o formato. A nuvem nasce em uma região próxima ao vulcão, e o vento a empurra na direção em que sopra. O resultado é uma estrutura que se alonga por centenas de quilômetros, até ultrapassar a marca de 1.500 quilômetros de extensão.
Por que ela intriga os cientistas
O maior mistério está na forma como os cristais de gelo da nuvem surgem. Na Terra, o processo mais conhecido de formação de nuvens depende de pequenas partículas suspensas no ar, como grãos de poeira. Elas funcionam como "sementes": o vapor de água se condensa ou congela em volta delas, formando gotas ou cristais.
No caso da AMEC, esse mecanismo esbarra em dois obstáculos. A atmosfera de Marte é muito rarefeita, e nas altitudes elevadas em que a nuvem se forma há pouca poeira disponível. Nessas condições, o processo tradicional não daria conta de explicar a nuvem. Por isso, a principal hipótese levantada até agora é que a poeira simplesmente não participa da formação dos cristais nesse caso. Como exatamente isso acontece, porém, ainda não está esclarecido.
O que Marte pode ensinar sobre a Terra
Os estudos sobre a nuvem de Arsia Mons devem continuar. De acordo com o texto da APOD, compreender melhor esse fenômeno pode contribuir para uma visão mais completa de como as nuvens se formam também na Terra.
Esse tipo de comparação é comum na ciência planetária: observar um processo em um ambiente muito diferente do terrestre, como a atmosfera fina e pouco empoeirada de Marte, permite testar ideias sobre mecanismos que, aqui, costumam ocorrer misturados a muitos outros fatores. Uma nuvem que se forma sem depender da poeira, se a hipótese se confirmar, seria um caso útil para esse tipo de investigação.
A APOD é um serviço que todos os dias apresenta uma imagem ou fotografia do Universo acompanhada de uma breve explicação escrita por um astrônomo profissional. A edição sobre a nuvem marciana tem como autores e editores Robert Nemiroff, Jerry Bonnell, Cecilia Chirenti e Keighley Rockcliffe.
Fonte: NASA – APOD: 2026 November 2 – A Long Cloud on Mars
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