De que cor é a Lua? A resposta parece óbvia, mas depende da noite e até do horário da observação. É essa a pergunta que guia a imagem escolhida pela NASA para o Astronomy Picture of the Day (APOD) de 1º de novembro de 2026: uma coleção de registros da Lua cheia em tons que vão do vermelho ao azul, passando pelo amarelo e até por um raro roxo.
O trabalho é da astrofotógrafa Marcella Giulia Pace, que documentou as diferentes cores aparentes do satélite ao longo de 10 anos, a partir de diversos locais da Itália. Reunidas lado a lado, as fotos mostram como a mesma Lua pode parecer bem diferente para quem a observa da superfície da Terra.
A cor verdadeira e a cor que vemos
A Lua não tem luz própria: ela brilha porque reflete a luz do Sol. Vista de fora da atmosfera terrestre, sem nenhuma interferência do ar, sua superfície escura tem um tom cinza levemente puxado para o marrom, segundo a explicação que acompanha a imagem.
As variações registradas nas fotos, portanto, não vêm de mudanças na própria Lua, e sim do caminho que a luz refletida percorre até chegar aos olhos do observador. A atmosfera da Terra funciona como um filtro, e esse filtro muda conforme a posição da Lua no céu e as condições do ar em cada noite.
Por que a Lua fica vermelha, amarela ou azul
A explicação publicada pela NASA detalha o que costuma estar por trás de cada tonalidade:
- Vermelha ou amarela: geralmente indica uma Lua observada perto do horizonte. Nessa posição, sua luz atravessa uma camada muito mais longa de atmosfera, às vezes carregada de poeira fina. Ao longo desse trajeto, parte da luz azul é espalhada para outras direções, e o que chega ao observador tende para tons mais quentes.
- Azul: é uma ocorrência mais rara e pode indicar uma atmosfera com partículas de poeira maiores do que o habitual.
- Roxa: a origem dessa cor não está clara. Segundo o texto, ela pode resultar de uma combinação de vários efeitos.
O fenômeno do horizonte é o mesmo princípio que deixa o céu avermelhado no nascer e no pôr do Sol: quanto mais ar a luz precisa atravessar, mais azul se perde no caminho.
O vermelho do eclipse
A última imagem da sequência tem uma origem diferente das demais. Ela mostra o eclipse lunar total de julho de 2018, quando a Lua passou pela sombra da Terra e assumiu um tom vermelho fraco.
Nesse caso, a cor não vem da posição da Lua no céu, mas da luz solar que é refratada, ou seja, desviada, ao atravessar a atmosfera ao redor da Terra. Mesmo com o planeta bloqueando a luz direta do Sol, essa pequena parcela desviada pelo ar consegue alcançar a superfície lunar e iluminá-la com uma tonalidade avermelhada.
O conjunto de fotos mostra que observar a Lua com atenção, em noites e condições diferentes, revela bastante sobre a atmosfera do nosso próprio planeta. A própria página da NASA encerra a explicação com um convite ao leitor: você já viu uma Lua com cores incomuns?
O APOD é um serviço da divisão ASD do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, do programa NASA Science Activation e da Michigan Technological University, com textos de Robert Nemiroff, Jerry Bonnell, Cecilia Chirenti e Keighley Rockcliffe.
Fonte: NASA — APOD: 2026 November 1 – Colors of the Moon
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