Saturno é o segundo maior planeta do Sistema Solar e, para muita gente, o mais bonito. É também o planeta menos denso: em média, é menos denso do que a água. Se existisse uma banheira grande o bastante, Saturno flutuaria nela.
O que formam os anéis
Os anéis não são placas sólidas. São formados por bilhões de pedaços de gelo de água, com um pouco de rocha e poeira, que vão de grãos menores que um grão de areia a blocos do tamanho de casas. Cada pedaço gira em torno do planeta na sua própria órbita, como uma lua minúscula.
O conjunto principal se estende por cerca de 280 mil quilômetros de diâmetro, quase três quartos da distância entre a Terra e a Lua. Mesmo assim, na maior parte, os anéis têm de 10 metros a um quilômetro de espessura. Proporcionalmente, são muito mais finos que uma folha de papel.
Se os anéis de Saturno fossem do tamanho de um campo de futebol, teriam a espessura de um fio de cabelo.
De orelhas a anéis
Galileu foi o primeiro a apontar uma luneta para Saturno, em 1610, e viu algo estranho: o planeta parecia ter duas orelhas, ou duas luas grudadas nos lados. Foi o holandês Christiaan Huygens, com um instrumento melhor, quem explicou o mistério: num livro publicado em 1659, descreveu um anel fino e plano que não toca o planeta. Ele também descobriu Titã, a maior lua de Saturno, em 1655.
Visto da Terra, o ângulo dos anéis muda ao longo dos 29 anos que Saturno leva para dar a volta no Sol. A cada 13 a 16 anos, eles ficam de perfil para nós e praticamente somem em telescópios pequenos. Isso aconteceu pela última vez em março de 2025; nos anos seguintes, os anéis vão se abrindo de novo.
Uma coleção de luas
Saturno é o planeta com mais luas conhecidas: desde 2025, passam de 270, a maioria pequenas e descobertas recentemente. Duas se destacam:
- Titã, maior que o planeta Mercúrio, tem atmosfera densa e lagos e mares de metano e etano líquidos. É o único lugar além da Terra onde se sabe que há líquido estável na superfície.
- Encélado, com cerca de 500 quilômetros de diâmetro, lança jatos de vapor de água e gelo pelo polo sul. Eles vêm de um oceano escondido sob a crosta, um dos lugares mais promissores para procurar condições de vida.
O que a Cassini descobriu
Boa parte do que sabemos vem da sonda Cassini, parceria da NASA com as agências espaciais europeia e italiana, que orbitou Saturno de 2004 a 2017. Ela descobriu os jatos de Encélado, levou o módulo Huygens até a superfície de Titã e fotografou um hexágono de nuvens, com lados maiores que a Terra, girando no polo norte do planeta.
As medições finais da Cassini também reacenderam uma discussão: os anéis podem ser bem mais jovens que o planeta, com algumas centenas de milhões de anos. A questão segue em debate entre os cientistas.
Como ver Saturno
A olho nu, Saturno parece uma estrela amarelada que não pisca. Com uma luneta ou telescópio com aumento a partir de umas 30 vezes, os anéis já aparecem. É uma das visões que mais impressionam quem olha por um telescópio pela primeira vez.