quinta-feira, 29 de outubro de 2026Minguante gibosa hoje

Barreira do Inferno: a primeira base de foguetes da América do Sul fica em Natal

Inaugurado em 1965, no Rio Grande do Norte, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno lançou foguetes de sondagem para estudar a atmosfera e o espaço e ajuda a rastrear foguetes lançados da Guiana Francesa.

Foguete de sondagem lançado do Alasca (EUA) para estudar a alta atmosfera. Foguetes desse tipo também são lançados da Barreira do Inferno.
Foguete de sondagem lançado do Alasca (EUA) para estudar a alta atmosfera. Foguetes desse tipo também são lançados da Barreira do Inferno. · Imagem: NASA / GSFC

Antes de Alcântara, houve a Barreira do Inferno. O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, na região metropolitana de Natal (RN), foi inaugurado em 1965 e é considerado a primeira base de lançamento de foguetes da América do Sul. É mantido pela Força Aérea Brasileira.

Por que Natal

A localização é estratégica pelos mesmos motivos de Alcântara: perto da linha do Equador, o que facilita certos tipos de lançamento, e no litoral, com o oceano a leste para receber os foguetes e os estágios usados, longe de áreas povoadas. A região também tinha história na aviação, com a base aérea usada na Segunda Guerra Mundial.

Foguetes de sondagem

A principal atividade da Barreira do Inferno é o lançamento de foguetes de sondagem. Diferente dos foguetes que colocam satélites em órbita, eles sobem, fazem medições e caem de volta, em voos suborbitais que duram poucos minutos. São usados para estudar a alta atmosfera, a ionosfera e o campo magnético, e para fazer experimentos em microgravidade durante os minutos de queda livre.

Um foguete de sondagem pode passar dos 100 quilômetros de altitude, a fronteira convencional do espaço, mesmo sem entrar em órbita.

Nos primeiros anos, o centro lançou foguetes em parceria com a NASA e com outras agências, para pesquisas sobre a atmosfera equatorial, uma região importante e pouco estudada naquela época.

Foguetes feitos no Brasil

Com o tempo, o Brasil desenvolveu os próprios foguetes de sondagem no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos (SP): a família Sonda, iniciada nos anos 1960, e, depois, modelos como o VSB-30, criado em parceria com a agência espacial da Alemanha (DLR). O VSB-30 foi qualificado para voos de microgravidade e passou a ser usado também em campanhas europeias, lançado inclusive da Suécia.

Desenvolver foguetes de sondagem foi a escola do programa espacial brasileiro: as tecnologias de motores, combustível sólido e controle aprendidas ali serviram de base para projetos maiores.

Os olhos do Atlântico

A Barreira do Inferno tem outra função importante: rastreamento. A estação de Natal acompanha, com radares e antenas de telemetria, foguetes lançados do Centro Espacial da Guiana, em Kourou, a base da Agência Espacial Europeia. Logo depois de decolar, os foguetes europeus seguem sobre o Atlântico, e a posição de Natal permite acompanhar e receber dados dessa fase do voo.

Turismo científico

O CLBI recebe visitas agendadas de escolas e do público, com exposições sobre a história dos lançamentos e sobre o programa espacial brasileiro. Para muitos estudantes do Nordeste, é o primeiro contato com foguetes de verdade.

Seis décadas depois da inauguração, a Barreira do Inferno segue como um dos símbolos da presença brasileira na exploração espacial.

Quem escreveuRedação Singularity ZoneNotícias e guias sobre espaço e astronomia, escritos para quem olha para o céu com curiosidade.

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