A última vez que pessoas pisaram na Lua foi em dezembro de 1972, na Apollo 17. Desde então, os astronautas não passaram da órbita baixa da Terra, a algumas centenas de quilômetros de altitude. O programa Artemis, batizado com o nome da irmã gêmea de Apolo na mitologia grega, é a tentativa de voltar, agora com a intenção de ficar mais tempo e com participação de várias agências espaciais.
As peças do programa
- SLS (Space Launch System): o foguete de grande porte da NASA, projetado para lançar a cápsula e a tripulação rumo à Lua.
- Orion: a cápsula que leva até quatro astronautas, com módulo de serviço fornecido pela Agência Espacial Europeia.
- Sistema de pouso: naves comerciais contratadas pela NASA para descer da órbita lunar até a superfície, desenvolvidas pela SpaceX e pela Blue Origin.
- Gateway: uma pequena estação planejada para orbitar a Lua, com módulos de parceiros internacionais.
As primeiras missões
A Artemis I decolou em 16 de novembro de 2022, sem tripulação. A cápsula Orion foi até além da Lua, passou dias numa órbita distante e voltou à Terra em 11 de dezembro de 2022, testando o escudo térmico na reentrada a quase 40 mil quilômetros por hora.
A Artemis II é o primeiro voo tripulado do programa: quatro astronautas, três da NASA e um da Agência Espacial Canadense, contornam a Lua e voltam, sem pousar. A tripulação, anunciada em 2023, inclui a primeira mulher e o primeiro astronauta não americano escalados para uma viagem até a Lua.
As missões seguintes preveem pousos tripulados na região do polo sul lunar.
A água congelada nos polos lunares pode virar água para beber, oxigênio para respirar e até combustível de foguete.
Por que o polo sul
As missões Apollo pousaram perto do equador da Lua. O polo sul é diferente: tem crateras cujo fundo nunca recebe luz do Sol e onde há gelo de água preso há bilhões de anos. Explorar esse gelo é um passo importante para manter pessoas por mais tempo na Lua, usando recursos locais.
Os Acordos Artemis e o Brasil
Junto com o programa, os Estados Unidos propuseram os Acordos Artemis, um conjunto de princípios para a exploração pacífica e transparente da Lua e de outros corpos celestes, como compartilhar dados científicos e não interferir nas atividades de outros países. O Brasil assinou os acordos em junho de 2021 e foi o primeiro país da América Latina a aderir. Dezenas de países já são signatários.
De olho em Marte
A NASA apresenta o Artemis como um ensaio para viagens mais longas. Viver e trabalhar na Lua, a três dias de viagem da Terra, deve ensinar muito sobre como manter astronautas saudáveis, produzir recursos no local e operar longe de casa, conhecimento necessário para uma futura missão tripulada a Marte, que levaria meses só na ida.
O programa também enfrenta críticas e desafios: custos altos, atrasos e a complexidade de coordenar foguetes, cápsulas e módulos de pouso de várias empresas. O calendário das próximas missões tem sido revisto com frequência.