domingo, 1 de novembro de 2026Quarto minguante hoje

Voyager 1 economiza energia e retoma contato após pausa de 48 horas nas comunicações

Equipe da NASA concluiu em setembro troca de equipamentos para poupar energia na sonda e, em outubro, viu o sinal da Voyager 1 sumir por dois dias e voltar sem intervenção.

Voyager 1
Voyager 1 · Imagem: NASA

A equipe da missão Voyager, da NASA, teve dois motivos para comemorar nas últimas semanas. Em setembro, os engenheiros concluíram um trabalho de meses para prolongar a energia cada vez mais escassa da sonda Voyager 1. Depois, em 20 de outubro, uma perda inesperada de comunicação com a nave se resolveu sozinha, após 48 horas, antes mesmo que a equipe enviasse comandos para investigar o problema.

A operação “Big Bang”

No início de setembro, os engenheiros desligaram três dispositivos da Voyager 1 e os substituíram por três alternativas que consomem menos energia. Apelidada de “Big Bang”, a manobra foi concluída cerca de seis semanas depois de a mesma troca ter sido feita na Voyager 2, a sonda gêmea. Segundo a NASA, a mudança permitirá que os instrumentos científicos ainda ativos da Voyager 1 funcionem por mais tempo do que o previsto.

As duas sondas são alimentadas por geradores termoelétricos de radioisótopos, que transformam em eletricidade o calor liberado pelo decaimento do plutônio. Como esse combustível vai se esgotando, cada Voyager perde cerca de 4 watts de potência por ano. Quase meio século após o lançamento, a margem de energia ficou pequena, e a equipe tem desligado dispositivos e sistemas que não são essenciais.

O diferencial do Big Bang foi a necessidade de fazer as trocas ao mesmo tempo. Os seis dispositivos envolvidos ajudam a manter a sonda aquecida o suficiente para operar no frio do espaço. Só trocando os três de uma vez seria possível reduzir o consumo e, ao mesmo tempo, garantir que o calor continuasse bem distribuído pela nave.

Nos últimos anos, a falta de energia já obrigou a equipe a desligar dois instrumentos científicos. A missão partiu em 1977 com dez instrumentos dedicados à ciência; alguns foram desligados após os encontros com os planetas, e outros ficaram ativos para estudar a região externa da heliosfera, a bolha de partículas e campos magnéticos criada pelo Sol. Hoje, as Voyagers atravessam o espaço interestelar, além da heliosfera, e são as únicas naves a estudar essa região diretamente. Sem o Big Bang, seria preciso desligar mais um instrumento da Voyager 1 já no verão do hemisfério norte de 2027.

Dois dias sem sinal

Em 18 e 19 de outubro, a Rede de Espaço Profundo da NASA (Deep Space Network), conjunto de grandes antenas instaladas em três locais do planeta, não conseguiu detectar o sinal de rádio da Voyager 1 em duas tentativas programadas, com 24 horas de intervalo. A sonda está a cerca de 24 bilhões de quilômetros da Terra. O sinal voltou a aparecer 24 horas depois, em 20 de outubro, e o contato foi mantido desde então.

A causa ainda está sendo investigada. Até agora, a equipe identificou que um grupo de propulsores saiu de operação e que os propulsores reserva foram acionados. Essa troca é automática quando os computadores de bordo detectam algo errado nos propulsores ativos. O mecanismo, chamado de proteção contra falhas, coloca a nave em uma configuração segura e estável e pausa as operações normais, dando tempo aos engenheiros para diagnosticar o problema.

“É a primeira vez que vemos a sonda fazer algo assim, mas também estamos num ponto da missão em que precisamos esperar o inesperado”, afirmou Kareem Badaruddin, gerente da missão Voyager no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, no sul da Califórnia. Ele disse que a equipe está aliviada com a retomada do contato e ansiosa para entender o que aconteceu.

A um dia-luz da Terra

Enquanto a investigação continua, a Voyager 1, que viaja a cerca de 61.155 km/h, se aproxima de um marco. Em 18 de novembro, o objeto feito pelo ser humano que mais longe chegou estará a 25,89 bilhões de quilômetros da Terra, o equivalente a um dia-luz, a distância que a luz percorre em um dia. Na prática:

  • um comando enviado da Terra levará 24 horas para chegar à sonda;
  • a resposta da Voyager 1 levará outras 24 horas para voltar.

“Se você quiser dizer ‘olá’ para a Voyager, você manda a mensagem, vai para casa e espera dois dias até finalmente receber uma resposta”, resumiu Suzanne Dodd, gerente do projeto Voyager no JPL. A sonda não perceberá nenhuma mudança ao cruzar essa distância. Segundo a NASA, o significado do marco está em mostrar a vastidão do universo e a resistência do explorador mais distante da humanidade.

Fonte: NASA Science — NASA’s Voyager 1 Conserves Power, Resolves Brief Communications Pause

Quem escreveuRedação Singularity ZoneNotícias e guias sobre espaço e astronomia, escritos para quem olha para o céu com curiosidade.

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