Todo mês de novembro, a Terra atravessa a trilha de poeira do cometa 55P/Tempel-Tuttle, que volta à vizinhança do Sol a cada cerca de 33 anos. Os grãos dessa trilha produzem as Leônidas, meteoros que parecem sair da constelação de Leão, daí o nome.
Os meteoros mais rápidos
A órbita do cometa vai na contramão da órbita da Terra. Por isso, as partículas batem quase de frente na atmosfera, a cerca de 71 quilômetros por segundo, a maior velocidade entre as grandes chuvas anuais. Os meteoros das Leônidas são rápidos e muitos deixam rastros luminosos que persistem por alguns segundos depois da passagem.
Quando a chuva vira tempestade
Em anos comuns, a chuva é modesta: de 10 a 15 meteoros por hora em céu escuro. Mas o cometa deixa uma trilha nova a cada passagem, e algumas delas ficam densas e estreitas. Quando a Terra cruza uma dessas trilhas recentes, a taxa dispara, e a chuva vira tempestade de meteoros.
Em novembro de 1833, as Leônidas produziram dezenas de milhares de meteoros por hora sobre a América do Norte. Muita gente achou que era o fim do mundo.
A tempestade de 1833 foi tão impressionante que ajudou a criar o estudo científico dos meteoros: foi ali que os astrônomos perceberam que os meteoros vinham de um ponto comum no céu e tinham origem no espaço, não na atmosfera. Em 1966, outra tempestade produziu, por menos de uma hora, taxas estimadas em dezenas de meteoros por segundo sobre o oeste dos Estados Unidos. Em 1999, 2001 e 2002, houve novas explosões de atividade, com milhares por hora em algumas regiões.
Hoje, os astrônomos conseguem prever com bastante precisão quando a Terra vai cruzar as trilhas mais densas. Não há previsão de tempestade das Leônidas para os próximos anos. O cometa volta a passar perto do Sol no começo da década de 2030, e os especialistas acompanham se as novas trilhas de poeira vão cruzar o caminho da Terra.
Quando e como olhar do Brasil
A constelação de Leão nasce no leste depois da meia-noite. O melhor intervalo para observar do Brasil é nas horas antes do amanhecer, olhando para a direção leste e para o alto. Em 2026, o pico fica perto do quarto crescente: a Lua se põe por volta da meia-noite e deixa o fim da madrugada escuro, justamente o melhor horário.
- Vá para um lugar longe das luzes da cidade.
- Espere pelo menos 20 minutos no escuro para os olhos se adaptarem.
- Olhe para uma área ampla do céu, não só para o radiante.
- Não use binóculo nem telescópio: o melhor instrumento é o olho nu.
Mesmo num ano comum, uma madrugada de céu limpo com as Leônidas costuma render alguns meteoros brilhantes e rápidos, e a chance de ver um bólido, um meteoro excepcionalmente brilhante que ilumina o chão.