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Hubble: o telescópio que começou com defeito e mudou a astronomia

Lançado em 1990, o Hubble chegou à órbita com o espelho principal fora de forma. Consertado por astronautas três anos depois, ajudou a medir a idade do universo, revelou galáxias distantes e segue em operação mais de três décadas depois.

O telescópio Hubble é solto do ônibus espacial Atlantis depois da última missão de manutenção, em 2009.
O telescópio Hubble é solto do ônibus espacial Atlantis depois da última missão de manutenção, em 2009. · Imagem: NASA / JSC

O Telescópio Espacial Hubble foi levado ao espaço pelo ônibus espacial Discovery, na missão STS-31, lançada em 24 de abril de 1990. Fica numa órbita a pouco mais de 500 quilômetros de altitude, acima da turbulência e da umidade da atmosfera, que borram a imagem dos telescópios em terra. O nome homenageia o astrônomo Edwin Hubble, que mostrou que o universo está em expansão.

O defeito de dois micrômetros

As primeiras imagens decepcionaram: estavam desfocadas. O espelho principal, de 2,4 metros, tinha sido polido com um erro minúsculo na curvatura, cerca de 2 micrômetros na borda, menos de um quinquagésimo da espessura de um fio de cabelo. Foi o suficiente para espalhar a luz.

A solução veio em dezembro de 1993, na primeira missão de manutenção. Astronautas do ônibus espacial Endeavour instalaram óculos para o telescópio: um conjunto de espelhos corretivos e uma nova câmera já fabricada com a correção. As imagens ficaram nítidas e o Hubble começou a cumprir a promessa.

Um telescópio feito para ser consertado

O Hubble é o único grande telescópio espacial projetado para receber visitas. Foram cinco missões de manutenção com astronautas, em 1993, 1997, 1999, 2002 e 2009, para trocar giroscópios, baterias, painéis solares e instalar instrumentos novos. Depois do fim dos ônibus espaciais, em 2011, não houve mais visitas.

As fotos do Hubble mudaram não só a ciência, mas a imagem que o público tem do universo.

As grandes descobertas

  • A idade do universo: medindo distâncias de galáxias com estrelas variáveis, o Hubble ajudou a fixar a taxa de expansão do universo e, com ela, a idade de cerca de 13,8 bilhões de anos.
  • A aceleração da expansão: observações de supernovas distantes, com participação do Hubble, levaram à descoberta de que a expansão do universo está acelerando, atribuída à energia escura. A descoberta rendeu o Nobel de Física de 2011.
  • Os campos profundos: apontando por dias para regiões quase vazias do céu, o Hubble registrou milhares de galáxias distantes, como eram há bilhões de anos.
  • Buracos negros nos centros das galáxias: as medições do Hubble ajudaram a mostrar que praticamente toda grande galáxia tem um buraco negro supermassivo no centro.

Hubble e Webb

O Telescópio James Webb, lançado em 2021, não substitui o Hubble: os dois se complementam. O Hubble enxerga principalmente a luz visível e o ultravioleta; o Webb é especializado no infravermelho. Muitas pesquisas combinam imagens dos dois.

Envelhecendo em órbita

Com mais de três décadas no espaço, o Hubble mostra sinais da idade. Desde 2024, por causa de problemas nos giroscópios que apontam o telescópio, ele opera com um único giroscópio de cada vez, um modo que reduz um pouco a agilidade, mas mantém a produção científica. A órbita também cai lentamente; sem um empurrão, o telescópio deve reentrar na atmosfera em algum momento da próxima década.

Quem escreveuRedação Singularity ZoneNotícias e guias sobre espaço e astronomia, escritos para quem olha para o céu com curiosidade.

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