Vênus aparece no começo da noite, a oeste, ou de madrugada, a leste, sempre perto do Sol. Por isso ganhou dois apelidos: estrela vespertina e estrela-d'alva. Durante muito tempo, alguns povos antigos acharam que eram dois astros diferentes. É, depois da Lua, o objeto mais brilhante do céu noturno, tão brilhante que dá para enxergá-lo de dia quando se sabe exatamente para onde olhar.
Um gêmeo da Terra que deu errado
Em tamanho e massa, Vênus é quase igual à Terra, e por isso já foi chamado de planeta gêmeo. As semelhanças param aí. A atmosfera é feita principalmente de dióxido de carbono e é tão densa que a pressão na superfície chega a cerca de 90 vezes a pressão ao nível do mar na Terra, o equivalente a estar a quase um quilômetro de profundidade no oceano.
Esse cobertor de gás provoca um efeito estufa extremo. A superfície passa de 460 °C, dia e noite, do polo ao equador: Vênus é mais quente do que Mercúrio, que está mais perto do Sol. É quente o bastante para derreter chumbo. Acima disso, nuvens de ácido sulfúrico cobrem o planeta inteiro e refletem a maior parte da luz do Sol, o que explica o brilho que vemos daqui.
Em Vênus, o dia é mais longo que o ano: o planeta leva mais tempo para girar em torno de si do que para dar a volta no Sol.
Um planeta que gira ao contrário
Vênus gira no sentido oposto ao da maioria dos planetas, e bem devagar: uma volta completa em torno do próprio eixo leva cerca de 243 dias terrestres, mais do que os 225 dias do ano venusiano. Quem estivesse lá (e resistisse) veria o Sol nascer no oeste e se pôr no leste, com cerca de 117 dias terrestres entre um nascer do sol e o seguinte.
Como conhecemos uma superfície escondida
Como as nuvens não deixam ver o solo, o mapa de Vênus foi feito com radar, que atravessa a atmosfera. A sonda Magellan, da NASA, mapeou quase todo o planeta entre 1990 e 1994 e revelou planícies de lava, vulcões enormes e poucas crateras, sinal de que a superfície foi renovada pelo vulcanismo nas últimas centenas de milhões de anos.
Antes disso, a União Soviética fez o que parecia impossível: pousou sondas lá. A Venera 7 foi a primeira a transmitir dados da superfície de outro planeta, em 1970, e a Venera 13, em 1982, mandou fotos coloridas do solo antes de sucumbir ao calor e à pressão, depois de pouco mais de duas horas.
Como observar
- Procure Vênus logo depois do pôr do sol, a oeste, ou antes do amanhecer, a leste, quando estiver nessa fase.
- Ele não pisca como as estrelas: tem um brilho firme e branco.
- Com um binóculo bem apoiado ou um telescópio pequeno, dá para ver que Vênus tem fases, como a Lua. Foi observando essas fases, em 1610, que Galileu reforçou a ideia de que os planetas giram em torno do Sol.
Novas missões da NASA e da Agência Espacial Europeia estão planejadas para a próxima década para estudar a atmosfera e a geologia de Vênus e entender como um planeta tão parecido com o nosso tomou um caminho tão diferente.