Cinco planetas podem ser vistos a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Eles são conhecidos desde a Antiguidade. O nome planeta vem do grego e significa "errante", porque, diferente das estrelas, eles mudam de posição no céu ao longo das semanas.
Dica 1: planetas não piscam
As estrelas estão tão longe que, para nós, são pontos de luz. A turbulência da atmosfera desvia essa luz o tempo todo, e as estrelas cintilam, principalmente perto do horizonte. Os planetas estão bem mais perto e, num telescópio, aparecem como pequenos discos. A luz de cada ponto do disco oscila de um jeito diferente, e as oscilações se compensam: o brilho fica firme.
A regra funciona bem, mas não é perfeita. Muito perto do horizonte, com a atmosfera agitada, até os planetas podem tremeluzir.
Dica 2: procure na eclíptica
Os planetas giram ao redor do Sol quase no mesmo plano. Por isso, no céu, eles sempre aparecem perto de uma faixa por onde também passam o Sol e a Lua, a eclíptica, que atravessa as constelações do zodíaco. Um ponto brilhante longe dessa faixa dificilmente é um planeta.
Se você vir um astro muito brilhante, que não pisca, perto do caminho que a Lua faz no céu, há uma boa chance de ser um planeta.
Como reconhecer cada um
- Vênus: o mais brilhante de todos, depois da Lua. Branco e intenso, aparece só no começo da noite, a oeste, ou de madrugada, a leste, nunca no meio da noite.
- Júpiter: o segundo planeta mais brilhante, de cor branca ou creme. Pode ficar visível a noite inteira. Com um binóculo bem apoiado, dá para ver até quatro pontinhos ao redor: as luas descobertas por Galileu.
- Marte: alaranjado ou avermelhado. O brilho varia muito: fica intenso perto das oposições, a cada cerca de 26 meses, e bem mais discreto no resto do tempo.
- Saturno: amarelado e menos brilhante que Júpiter. A olho nu, parece uma estrela firme; os anéis precisam de um telescópio.
- Mercúrio: o mais difícil. Aparece baixo no horizonte, logo depois do pôr do sol ou pouco antes do nascer, em algumas semanas do ano.
As conjunções
De tempos em tempos, dois planetas, ou um planeta e a Lua, aparecem muito próximos no céu. São as conjunções. É só um efeito de perspectiva, porque estão em distâncias muito diferentes, mas é um dos espetáculos mais bonitos e fáceis de ver. Conjunções da Lua com Vênus e Júpiter são boas oportunidades para quem está começando a reconhecer os planetas.
Ferramentas que ajudam
Aplicativos de planetário gratuitos, como o Stellarium, e aplicativos que usam a câmera do celular para identificar o que está no céu mostram onde está cada planeta na sua cidade e em que horário. Na nossa seção Céu do mês, publicamos os destaques de cada período.
E Urano e Netuno?
Urano fica no limite da visão humana: com céu muito escuro e sabendo exatamente onde procurar, pode ser notado como uma estrela fraquíssima. Netuno nunca é visível a olho nu. Os dois foram descobertos com telescópios, em 1781 e 1846.