quinta-feira, 29 de outubro de 2026Minguante gibosa hoje

Marte: por que o planeta vermelho é vermelho e o que ele ainda esconde

Poeira rica em óxido de ferro dá a cor; vulcões três vezes mais altos que o Everest e cânions do tamanho dos Estados Unidos dão a escala. E há sinais claros de que, um dia, correu água por lá.

Marte em cores, num mosaico de imagens das sondas Viking.
Marte em cores, num mosaico de imagens das sondas Viking. · Imagem: NASA / NASA/JPL/USGS

Marte é o quarto planeta a partir do Sol e o vizinho mais explorado depois da Lua. Tem pouco mais da metade do diâmetro da Terra, e o seu dia é quase igual ao nosso: 24 horas e 37 minutos. O ano marciano, porém, dura 687 dias terrestres.

De onde vem o vermelho

A cor vem da poeira e das rochas da superfície, ricas em óxido de ferro, o mesmo composto da ferrugem. Essa poeira fina é levantada pelos ventos e fica suspensa na atmosfera, tingindo até o céu de um tom alaranjado durante o dia. Curiosamente, o pôr do sol em Marte é azulado, porque a poeira espalha a luz de um jeito diferente do ar da Terra.

Um planeta de extremos

  • Monte Olimpo: o maior vulcão conhecido do Sistema Solar, com cerca de 22 quilômetros de altura, quase três vezes a altitude do Everest acima do nível do mar.
  • Valles Marineris: um sistema de cânions com cerca de 4 mil quilômetros de comprimento e até 7 quilômetros de profundidade. Na Terra, atravessaria um continente.
  • Tempestades de poeira: de tempos em tempos, cobrem o planeta inteiro por semanas.

A atmosfera é muito fina, com menos de 1% da pressão da Terra, e feita principalmente de dióxido de carbono. A temperatura média fica perto de 60 °C negativos. Marte tem duas luas pequenas e irregulares, Fobos e Deimos, que provavelmente são asteroides capturados.

Leitos de rios secos, deltas e minerais que só se formam na presença de água mostram que Marte já foi um planeta mais úmido.

A pergunta da água e da vida

Hoje não há água líquida estável na superfície: com a pressão tão baixa, ela evaporaria rapidamente. Mas há muito gelo nos polos e debaixo do solo. E as sondas encontraram, ao longo das últimas décadas, sinais de que há bilhões de anos existiram lagos e rios por lá.

Os jipes-robôs da NASA seguem essa pista. O Curiosity explora a cratera Gale desde 2012 e encontrou rochas formadas no fundo de um antigo lago, além de moléculas orgânicas, que são ingredientes da química da vida, mas não prova de vida. O Perseverance, na cratera Jezero desde 2021, coleta amostras numa região que já foi um delta de rio.

Quando Marte fica mais perto

A cada cerca de 26 meses, Terra e Marte ficam do mesmo lado do Sol, alinhados. É a oposição, quando Marte fica mais brilhante e mais fácil de observar, e também a melhor época para lançar missões. A próxima oposição acontece em fevereiro de 2027.

A olho nu, Marte parece uma estrela alaranjada que não pisca. Num telescópio pequeno, na época da oposição, dá para ver a calota polar branca e manchas escuras na superfície.

Quem escreveuRedação Singularity ZoneNotícias e guias sobre espaço e astronomia, escritos para quem olha para o céu com curiosidade.

Leia também

Céu do mês

Como reconhecer os planetas a olho nu

Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno são visíveis sem nenhum instrumento. Algumas dicas ajudam a separá-los das estrelas: eles não piscam e andam sempre na mesma faixa do céu.

Mesa de Ciência3 min de leitura
Sistema Solar

Mercúrio, o planeta dos extremos

O menor e mais rápido dos planetas passa de mais de 400 °C durante o dia a 180 °C negativos à noite. E, apesar de estar colado no Sol, guarda gelo no fundo de crateras escuras.

Mesa de Ciência3 min de leitura