Em janeiro de 1610, Galileu Galilei apontou para Júpiter uma luneta que ele mesmo construiu, com aumento de cerca de 20 vezes, e viu quatro pontinhos ao redor do planeta, mudando de posição noite após noite. Eram luas. Aquele instrumento, muito mais modesto que os telescópios de iniciante vendidos hoje, mudou a astronomia. Ou seja: não é preciso um equipamento caro para ver coisas incríveis no céu.
Comece pelo binóculo
Para quem está começando, um binóculo costuma ser a melhor primeira compra. É fácil de usar, mostra o céu do jeito certo (sem inverter a imagem), cabe na mochila e serve para outras coisas. Os modelos 7x50 ou 10x50 são os mais indicados para astronomia: o primeiro número é o aumento; o segundo, o diâmetro de cada lente em milímetros.
Com um binóculo assim, dá para ver as crateras da Lua, as luas de Júpiter, aglomerados de estrelas, a Nebulosa de Órion e a Via Láctea se desfazendo em milhares de estrelas.
Em telescópios, a abertura (o tamanho da lente ou do espelho) importa mais que o aumento: quanto maior, mais luz e mais detalhes.
Desconfie do aumento na caixa
Muitos telescópios baratos anunciam "675 vezes" ou mais. É um número enganoso. Existe um limite prático de aumento útil, que fica perto de duas vezes o diâmetro da abertura em milímetros. Um telescópio de 70 mm, por exemplo, dá imagens boas até umas 140 vezes; acima disso, a imagem só fica maior, escura e borrada. Na maioria das noites, a própria turbulência da atmosfera limita o aumento útil.
Os tipos de telescópio
- Refratores (lunetas): usam lentes. São fechados, precisam de pouca manutenção e dão imagens nítidas. Os modelos baratos costumam ter aberturas pequenas.
- Refletores newtonianos: usam espelhos. Oferecem mais abertura pelo mesmo preço. Precisam de ajuste ocasional do alinhamento dos espelhos.
- Dobsonianos: refletores numa base simples de madeira, que se movimenta com a mão. São considerados por muitos astrônomos amadores a melhor relação entre preço e desempenho para observação visual.
- Catadióptricos: combinam lentes e espelhos num tubo compacto. São versáteis, mas costumam ser mais caros.
O tripé importa (muito)
Um telescópio num tripé fraco treme a cada toque e a cada vento, e a imagem dança. É uma das maiores causas de frustração de iniciantes. Uma montagem firme vale mais do que acessórios extras. Montagens motorizadas que localizam objetos sozinhas são práticas, mas encarecem o conjunto; muita gente prefere aprender a se localizar no céu com cartas celestes e aplicativos.
Por onde começar a observar
- A Lua, especialmente perto do quarto crescente, com as crateras em relevo.
- Júpiter e as suas quatro luas; com telescópio, as faixas de nuvens.
- Saturno: os anéis aparecem com aumentos a partir de umas 30 vezes.
- Aglomerados de estrelas, como as Plêiades e a Caixinha de Joias, perto do Cruzeiro do Sul.
- A Nebulosa de Órion, visível nas noites de verão.
Um alerta de segurança
Nunca aponte um binóculo ou telescópio para o Sol sem um filtro solar certificado instalado na frente da abertura. A luz concentrada pode causar cegueira instantânea e permanente. Filtros que vêm para rosquear perto do olho, comuns em kits baratos antigos, são perigosos e não devem ser usados.
Uma boa dica antes de comprar: procure um clube de astronomia ou uma observação pública na sua cidade. Olhar por diferentes telescópios ajuda muito a escolher.