quinta-feira, 29 de outubro de 2026Minguante gibosa hoje

Órion e as Três Marias: o guia da constelação mais fácil de achar

Três estrelas alinhadas, visíveis de qualquer lugar do Brasil nas noites de verão, formam o cinturão de Órion. Ao redor delas estão uma supergigante vermelha, uma supergigante azul e um berçário de estrelas visível a olho nu.

Detalhe da Nebulosa de Órion, berçário de estrelas visível a olho nu abaixo das Três Marias.
Detalhe da Nebulosa de Órion, berçário de estrelas visível a olho nu abaixo das Três Marias. · Imagem: NASA / NASA and the Hubble Heritage Team STScI/AURA

Se existe uma constelação que quase todo brasileiro já viu, mesmo sem saber o nome, é Órion. As Três Marias, três estrelas de brilho parecido, perfeitamente alinhadas e próximas, são impossíveis de confundir. Elas formam o cinturão do caçador Órion, uma figura da mitologia grega.

Quando e onde ver

Órion fica sobre o equador celeste, e por isso é visível de qualquer lugar da Terra. No Brasil, a melhor época é o verão: de dezembro a março, a constelação aparece no começo da noite a leste e passa alta no céu perto da meia-noite. Em abril, já se põe no oeste logo depois do anoitecer.

Para quem está no Hemisfério Sul, Órion aparece de "ponta-cabeça" em relação às ilustrações feitas no Norte: as Três Marias ficam com a espada do caçador acima delas, e não abaixo.

As Três Marias

Os nomes oficiais das três estrelas, de origem árabe, são Alnitak, Alnilam e Mintaka. Apesar de parecerem lado a lado, estão a distâncias diferentes de nós, de algumas centenas a mais de mil anos-luz. São estrelas azuladas, muito maiores e mais quentes que o Sol.

Em muitas regiões do Brasil, o conjunto também é chamado de Três Reis Magos. Povos indígenas brasileiros têm as suas próprias leituras dessa região do céu, ligadas ao calendário das chuvas e das colheitas.

Uma linha que passe pelas Três Marias aponta, de um lado, para Sirius, a estrela mais brilhante do céu noturno.

Betelgeuse, a gigante vermelha

Num dos ombros de Órion brilha Betelgeuse, uma estrela alaranjada fácil de reconhecer. É uma supergigante vermelha: se estivesse no lugar do Sol, a sua superfície passaria da órbita de Marte. Está na fase final da vida e um dia vai explodir como supernova, mas "um dia", em escala astronômica, pode significar daqui a 100 mil anos.

Entre o fim de 2019 e o começo de 2020, Betelgeuse perdeu boa parte do brilho, num evento que ficou conhecido como Grande Escurecimento. Muita gente especulou sobre uma explosão iminente. Observações posteriores mostraram que a estrela expeliu uma nuvem de material que esfriou, formou poeira e bloqueou parte da luz.

Rigel, a gigante azul

No pé oposto da figura está Rigel, uma supergigante azulada, ainda mais luminosa que Betelgeuse. A diferença de cor entre as duas é visível a olho nu e mostra a diferença de temperatura: Rigel é muito mais quente.

A Nebulosa de Órion

Perto das Três Marias há uma fileira de estrelas mais fracas, a espada de Órion. Com céu escuro, a estrela do meio da espada parece um pouco borrada. Não é uma estrela: é a Nebulosa de Órion (M42), uma nuvem de gás a cerca de 1.300 anos-luz onde milhares de estrelas estão nascendo agora. É o berçário de estrelas grandes mais próximo da Terra.

Com um binóculo, a nebulosa aparece como uma mancha clara. Com um telescópio pequeno, revela um formato de asas e, no centro, quatro estrelas jovens bem juntas, chamadas Trapézio, que iluminam toda a nuvem.

Para encontrar outras estrelas

Órion é um ótimo ponto de partida para se localizar no céu de verão. Seguindo as Três Marias para um lado, chega-se a Sirius; para o outro, a Aldebaran, a estrela alaranjada do olho do Touro, e um pouco além, ao aglomerado das Plêiades.

Quem escreveuRedação Singularity ZoneNotícias e guias sobre espaço e astronomia, escritos para quem olha para o céu com curiosidade.

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