A Lua é grande demais para ser uma lua comum. Tem mais de um quarto do diâmetro da Terra, uma proporção muito maior que a das luas dos outros planetas rochosos. Entender de onde ela veio foi um dos grandes quebra-cabeças da ciência planetária, e a resposta mais aceita é dramática.
A hipótese do grande impacto
Segundo essa hipótese, nas primeiras dezenas de milhões de anos do Sistema Solar, há cerca de 4,5 bilhões de anos, a Terra ainda jovem foi atingida por um corpo do tamanho aproximado de Marte, batizado de Theia. A colisão derreteu boa parte dos dois corpos e lançou ao espaço uma quantidade enorme de rocha vaporizada e derretida.
Parte desse material ficou orbitando a Terra, formou um disco e, em pouco tempo, juntou-se para formar a Lua. Simulações de computador mostram que isso pode ter acontecido em escalas de tempo surpreendentemente curtas.
Cada pedaço da Lua é, de certo modo, um pedaço da Terra primitiva misturado com os restos de outro mundo.
As pistas que apoiam a ideia
- A química das rochas: as amostras trazidas pelas missões Apollo têm proporções de isótopos de oxigênio quase idênticas às das rochas da Terra, sinal de origem em comum.
- Pouco ferro: a Lua tem um núcleo de ferro pequeno. No impacto, o ferro mais pesado dos dois corpos teria ficado principalmente na Terra.
- Falta de água e de elementos voláteis: as rochas lunares são muito secas, compatível com um material que passou por temperaturas altíssimas.
- O oceano de magma: rochas claras das montanhas lunares indicam que a superfície da Lua jovem esteve derretida, como esperado depois de uma formação tão violenta.
As outras hipóteses
Antes do grande impacto, outras ideias disputavam a explicação: a Lua teria se formado junto com a Terra, como uma irmã; teria sido capturada pela gravidade da Terra ao passar por perto; ou teria se desprendido de uma Terra que girava rápido demais. Cada uma esbarra em algum problema com os dados, como a química das rochas ou o movimento atual da Lua. A hipótese do impacto é a que melhor explica o conjunto, embora os detalhes, como o tamanho exato de Theia e o ângulo da colisão, ainda sejam debatidos.
A Lua que vemos hoje
Depois de formada, a Lua foi bombardeada por asteroides e cometas por centenas de milhões de anos, o que explica as incontáveis crateras. As manchas escuras que formam o "rosto" da Lua são os mares lunares: grandes bacias de impacto que foram preenchidas por lava há mais de 3 bilhões de anos, e não têm água.
Os laboratórios que vieram da Lua
As seis missões Apollo que pousaram na Lua, entre 1969 e 1972, trouxeram 382 quilos de rochas e poeira, ainda estudados hoje com instrumentos que não existiam na época. As sondas soviéticas Luna trouxeram mais algumas centenas de gramas, e as missões chinesas Chang'e 5, em 2020, e Chang'e 6, em 2024, trouxeram as amostras mais recentes, incluindo as primeiras do lado oculto. Cada nova amostra ajuda a datar e refinar a história da nossa vizinha.