Júpiter tem mais massa do que todos os outros planetas do Sistema Solar somados: mais de 300 vezes a massa da Terra. Mesmo assim, até a década passada sabíamos pouco sobre o que acontece abaixo das nuvens coloridas que vemos pelos telescópios. A sonda Juno, da NASA, foi construída para responder a essa pergunta.
Lançada em 5 de agosto de 2011, a Juno chegou a Júpiter em 4 de julho de 2016. Em vez de girar ao redor do equador, como as sondas anteriores, ela entrou numa órbita bem alongada que passa de polo a polo. Em cada aproximação, mergulha a poucos milhares de quilômetros do topo das nuvens e depois se afasta para longe, fugindo do pior da radiação.
Uma nave movida a luz do Sol tão longe do Sol
Júpiter fica cinco vezes mais longe do Sol do que a Terra, e lá a luz chega cerca de 25 vezes mais fraca. Ainda assim, a Juno foi a primeira sonda a operar no planeta usando só painéis solares, três asas enormes que somam cerca de 20 metros de ponta a ponta. Os instrumentos mais sensíveis ficam numa caixa de titânio, um cofre contra a radiação intensa dos cinturões do planeta.
Ciclones em formação geométrica
Uma das grandes surpresas veio dos polos, que nenhuma sonda tinha visto de perto. No polo norte, a Juno encontrou oito ciclones gigantes arranjados ao redor de um ciclone central; no polo sul, cinco (depois seis) formando um polígono. Cada um tem milhares de quilômetros de diâmetro, e o conjunto se mantém estável há anos. Na Terra, não existe nada parecido.
A Grande Mancha Vermelha, uma tempestade maior do que a Terra, é acompanhada por astrônomos há mais de um século e meio.
Com um radiômetro de micro-ondas, que enxerga abaixo das nuvens, a Juno mostrou que a Grande Mancha Vermelha tem raízes de centenas de quilômetros de profundidade, muito mais do que se imaginava. As faixas claras e escuras que dão a cara de Júpiter também continuam por milhares de quilômetros para dentro da atmosfera.
O que tem lá dentro
A Juno mede o campo gravitacional com uma precisão enorme, acompanhando pequenas variações na velocidade da nave a cada passagem. Os dados indicam que o núcleo de Júpiter não é uma bola compacta de rocha, como se pensava, mas uma região grande e difusa, misturada com hidrogênio e hélio. O campo magnético, o mais forte entre os planetas, também se revelou irregular, com uma mancha intensa perto do equador.
As luas também entraram no roteiro
Com a missão estendida, a Juno passou a visitar as grandes luas de Júpiter. Sobrevoou Ganimedes em 2021, Europa em 2022 e Io no fim de 2023 e começo de 2024, registrando de perto os vulcões de Io, o lugar com mais atividade vulcânica do Sistema Solar.
Um detalhe simpático: a câmera da missão, a JunoCam, foi pensada também para o público. As imagens brutas são publicadas na internet e processadas por voluntários do mundo todo, e muitas das fotos mais bonitas de Júpiter feitas pela Juno vêm desse trabalho.