domingo, 1 de novembro de 2026Quarto minguante hoje

Hubble e Webb observam a Nebulosa Cabeça de Gato, berçário de estrelas na Nebulosa de Carina

Imagens em luz visível e infravermelha mostram um pilar de poeira com forma de gato, moldado por estrelas massivas, onde astros jovens ainda estão em formação.

Pilar de gás e poeira em uma região de formação de estrelas da Nebulosa de Carina, observado por telescópio espacial.
Pilar de gás e poeira em uma região de formação de estrelas da Nebulosa de Carina, observado por telescópio espacial. · Imagem: NASA / NASA/ESA/STScI

Os telescópios espaciais Hubble e James Webb, da NASA, observaram uma pequena região da Nebulosa de Carina cuja silhueta lembra um gato sentado de costas, com a cabeça virada para a direita e um olho brilhante. Apelidada de Nebulosa Cabeça de Gato, a estrutura foi divulgada pela agência em 29 de outubro, às vésperas do Halloween. Ela reúne informações úteis para entender como as estrelas nascem.

A Nebulosa de Carina é uma extensa região de formação estelar situada a cerca de 7.500 anos-luz da Terra. Dentro dela, a Cabeça de Gato é uma estrutura relativamente pequena: um filamento de poeira que abriga estrelas em formação. Segundo a NASA, trata-se de um cenário passageiro, que tende a se dissipar à medida que as estrelas se formam e evoluem.

Esculpida por estrelas massivas

O formato felino provavelmente foi moldado ao longo do tempo pela intensa radiação ultravioleta e pelos ventos de estrelas massivas da Nebulosa de Carina. Esse efeito, conhecido como retroalimentação estelar, vai desgastando o gás e a poeira ao redor. As partes mais densas do pilar resistem melhor à erosão, pelo menos por enquanto, e é isso que preserva a forma vista hoje.

Na imagem do Hubble, feita em luz visível, o pilar aparece como uma massa opaca de poeira marrom-escura. O olho avermelhado do gato pode ser uma estrela jovem ainda parcialmente envolta em poeira. Ao longo da borda direita do filamento corre uma faixa amarelada e difusa. Esse contorno brilhante é compatível com gás iluminado e ionizado pela radiação ultravioleta de estrelas massivas próximas, o que pode estar provocando a fotoevaporação, processo em que a radiação vai, aos poucos, dispersando o material da nuvem.

O material difuso em volta do pilar brilha em azul e ciano na parte de cima e passa para tons de amarelo, laranja e vermelho em direção à base. Os filtros do Hubble registram a luz emitida por oxigênio, hidrogênio e enxofre, além da luz de estrelas espalhada pela poeira. As variações de cor revelam uma mistura complexa de gás excitado, poeira e iluminação estelar.

O olhar infravermelho do Webb

O Webb observou a mesma região em infravermelho próximo e médio, e cada faixa traz informações diferentes. No infravermelho próximo, a estrutura geral se parece com a do Hubble, mas o filamento fica mais transparente e os detalhes de sua superfície se tornam visíveis. À esquerda do gato surgem filetes tênues de poeira e gás, estruturas delicadas expostas à radiação de estrelas massivas vizinhas.

Essa imagem também mostra uma grande quantidade de estrelas, representadas em azul e amarelo. Mesmo no infravermelho, algumas continuam encobertas por poeira em graus variados. O olho do gato, agora amarelado, segue em destaque. A alta resolução do telescópio permite ainda enxergar galáxias tênues ao fundo, numa visão parcial que atravessa a Via Láctea e vai além dela.

No infravermelho médio, o que desenha as estruturas da nebulosa é a emissão de poeira morna e de moléculas à base de carbono excitadas pela luz das estrelas. Diferenças nas condições locais e na composição do material produzem as variações de cor e brilho. Nessa imagem, ficam especialmente evidentes:

  • glóbulos e filamentos delicados à esquerda do pilar;
  • uma fonte de luz brilhante, em amarelo, à direita do pilar, provavelmente uma estrela recém-nascida envolta em poeira, sobre um fundo avermelhado formado pelo material ao redor;
  • um filamento estreito que parece cruzar essa fonte, embora, segundo a NASA, a imagem sozinha não permita afirmar se os dois estão fisicamente ligados.

Peças de um processo complexo

A combinação das imagens em diferentes comprimentos de onda ajuda os astrônomos a estudar a formação de estrelas, um processo esquivo, caótico e complexo. Enquanto a luz visível do Hubble mostra o contorno do pilar e o gás ionizado ao redor, o infravermelho do Webb torna a poeira mais transparente e revela estrelas, estruturas internas e galáxias distantes.

O Hubble, em operação há mais de três décadas, é um projeto de cooperação entre a NASA e a ESA (Agência Espacial Europeia). O Webb é um programa internacional liderado pela NASA, em parceria com a ESA e a CSA (Agência Espacial Canadense).

Fonte: NASA — Ghostly Cat’s Head Nebula Lurks Within Sight of NASA’s Hubble, Webb

Quem escreveuRedação Singularity ZoneNotícias e guias sobre espaço e astronomia, escritos para quem olha para o céu com curiosidade.

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