A Via Láctea é a galáxia onde vivemos, um disco com centenas de bilhões de estrelas. Como estamos dentro dela, a vemos de lado, como uma faixa leitosa que atravessa o céu de um horizonte ao outro. A maioria das pessoas que vive em cidades nunca a viu: estima-se que mais de um terço da humanidade não consegue mais ver a Via Láctea por causa da poluição luminosa.
O Brasil está num lugar privilegiado
O centro da galáxia fica na direção das constelações de Sagitário e Escorpião, que ficam ao sul do equador celeste. Para quem observa do Hemisfério Sul, essa região passa alta no céu, perto do zênite (o ponto bem acima da cabeça). É a parte mais brilhante e mais recortada da Via Láctea, com nuvens de estrelas e faixas escuras de poeira.
Com céu escuro de verdade, a faixa da Via Láctea é tão brilhante que chega a parecer uma nuvem iluminada.
Quando olhar
- Época: o núcleo galáctico aparece no céu noturno de fevereiro a outubro. Os melhores meses são de maio a agosto, quando ele fica alto já no começo da noite e passa a noite toda visível.
- Lua: escolha noites perto da Lua nova, ou horários em que a Lua já se pôs ou ainda não nasceu. A luz da Lua cheia apaga a Via Láctea quase tanto quanto a luz da cidade.
- Tempo: o inverno é a estação seca em boa parte do Brasil central, com céus limpos e transparentes.
Onde olhar
A poluição luminosa é o maior inimigo. A luz das cidades se espalha pelo céu e cria uma cúpula clara visível a dezenas de quilômetros. O ideal é estar a pelo menos 50 quilômetros de cidades grandes, em zona rural, serras, chapadas ou parques. Mesmo em lugares razoavelmente escuros, evite olhar na direção das cidades próximas.
Como enxergar melhor
- Deixe os olhos se adaptarem ao escuro por pelo menos 20 a 30 minutos.
- Use lanterna com luz vermelha, que atrapalha menos a visão noturna.
- Experimente a visão de canto de olho: olhar um pouco ao lado de um objeto fraco faz ele aparecer melhor, porque essa parte da retina é mais sensível à pouca luz.
- Um binóculo simples revela aglomerados de estrelas e nebulosas ao longo da faixa, como a Nebulosa da Lagoa, em Sagitário.
Fotografando a Via Láctea
Câmeras e celulares captam mais luz do que o olho e mostram cores e detalhes que não vemos. Algumas dicas:
- Use tripé e o modo manual ou o modo noite do celular.
- Lentes grande-angulares funcionam melhor, porque permitem exposições mais longas sem que as estrelas virem riscos.
- Uma referência prática: divida 500 pela distância focal da lente (em câmeras de sensor grande) para ter o tempo máximo de exposição, em segundos, antes de as estrelas começarem a borrar. Com lente de 20 mm, dá 25 segundos.
- Foque no infinito e use ISO alto, entre 1600 e 6400, dependendo da câmera.
Aplicativos gratuitos de planetário, como o Stellarium, mostram exatamente onde e quando o centro da Via Láctea estará visível na sua cidade.