quinta-feira, 29 de outubro de 2026Minguante gibosa hoje

Eclipse total de 2 de agosto de 2027 terá mais de seis minutos de escuridão

A faixa de totalidade cruza o sul da Espanha, o Norte da África e o Egito. Perto de Luxor, o Sol fica totalmente coberto por cerca de seis minutos e vinte segundos, um dos eclipses mais longos do século visto em terra.

2017 Total Solar Eclipse
2017 Total Solar Eclipse · Imagem: NASA / AFRC

Eclipses totais do Sol acontecem quando a Lua passa exatamente entre a Terra e o Sol e cobre todo o disco solar. A sombra mais escura da Lua, chamada umbra, desenha na superfície da Terra uma faixa estreita, de algumas centenas de quilômetros de largura no máximo. Só quem está dentro dela vê o dia virar noite; ao redor, numa área bem maior, o eclipse é apenas parcial.

O caminho da sombra

No eclipse de 2 de agosto de 2027, a faixa de totalidade começa no Oceano Atlântico, passa pelo Estreito de Gibraltar e pelo extremo sul da Espanha, cruza o norte do Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito, atravessa o Mar Vermelho e segue pela Arábia Saudita e pelo Iêmen até o Oceano Índico.

Por que vai durar tanto

A duração da totalidade depende de dois fatores. O primeiro é a distância da Lua: quanto mais perto da Terra, maior ela parece e mais tempo cobre o Sol. Em agosto de 2027, a Lua estará perto do perigeu, o ponto mais próximo da órbita. O segundo é a posição do Sol no céu: quando o eclipse acontece perto do meio-dia em regiões próximas ao trópico, a sombra se move mais devagar sobre a superfície.

A combinação dá cerca de 6 minutos e 20 segundos de totalidade no ponto máximo, perto de Luxor, no Egito, onde ficam templos e tumbas dos faraós. Para comparar: a maioria dos eclipses totais dura de dois a quatro minutos. Será o eclipse total mais longo visto em terra firme por muitas décadas.

Durante a totalidade, a coroa solar, a atmosfera externa do Sol, aparece como um halo prateado ao redor da Lua.

O que se vê na totalidade

  • A temperatura cai alguns graus e o céu escurece como no crepúsculo, com planetas e estrelas brilhantes aparecendo.
  • Pouco antes da totalidade, pontos de luz brilham na borda da Lua, onde o Sol passa entre montanhas e vales lunares: são as contas de Baily e o efeito anel de diamante.
  • A coroa solar fica visível a olho nu, com filamentos que mudam conforme a atividade do Sol.
  • No horizonte, em todas as direções, aparece um brilho alaranjado, como um pôr do sol de 360 graus.

E no Brasil?

O eclipse de 2027 não será visível do Brasil. Para quem quiser acompanhar daqui, observatórios e agências espaciais costumam transmitir a totalidade ao vivo pela internet. O último eclipse solar de destaque no país foi o anular de 14 de outubro de 2023, visto como um anel de fogo em cidades do Nordeste, como Natal e João Pessoa.

Segurança em primeiro lugar

Olhar para o Sol sem proteção adequada causa lesões permanentes na retina, e a retina não dói: o dano pode acontecer sem que a pessoa perceba. Só é seguro olhar sem filtro durante os segundos de totalidade, e apenas dentro da faixa. Nas fases parciais, use:

  • óculos de eclipse com filtro certificado pela norma ISO 12312-2, sem riscos ou furos;
  • vidro de soldador com tonalidade 14 (os de tonalidade menor não protegem o suficiente);
  • projeção indireta: um furo pequeno num papelão projeta a imagem do Sol numa folha branca.

Óculos escuros comuns, filmes fotográficos e radiografias não servem. E nunca aponte binóculo, telescópio ou câmera para o Sol sem um filtro solar próprio na frente da lente.

Quem escreveuRedação Singularity ZoneNotícias e guias sobre espaço e astronomia, escritos para quem olha para o céu com curiosidade.

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