Eclipses totais do Sol acontecem quando a Lua passa exatamente entre a Terra e o Sol e cobre todo o disco solar. A sombra mais escura da Lua, chamada umbra, desenha na superfície da Terra uma faixa estreita, de algumas centenas de quilômetros de largura no máximo. Só quem está dentro dela vê o dia virar noite; ao redor, numa área bem maior, o eclipse é apenas parcial.
O caminho da sombra
No eclipse de 2 de agosto de 2027, a faixa de totalidade começa no Oceano Atlântico, passa pelo Estreito de Gibraltar e pelo extremo sul da Espanha, cruza o norte do Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito, atravessa o Mar Vermelho e segue pela Arábia Saudita e pelo Iêmen até o Oceano Índico.
Por que vai durar tanto
A duração da totalidade depende de dois fatores. O primeiro é a distância da Lua: quanto mais perto da Terra, maior ela parece e mais tempo cobre o Sol. Em agosto de 2027, a Lua estará perto do perigeu, o ponto mais próximo da órbita. O segundo é a posição do Sol no céu: quando o eclipse acontece perto do meio-dia em regiões próximas ao trópico, a sombra se move mais devagar sobre a superfície.
A combinação dá cerca de 6 minutos e 20 segundos de totalidade no ponto máximo, perto de Luxor, no Egito, onde ficam templos e tumbas dos faraós. Para comparar: a maioria dos eclipses totais dura de dois a quatro minutos. Será o eclipse total mais longo visto em terra firme por muitas décadas.
Durante a totalidade, a coroa solar, a atmosfera externa do Sol, aparece como um halo prateado ao redor da Lua.
O que se vê na totalidade
- A temperatura cai alguns graus e o céu escurece como no crepúsculo, com planetas e estrelas brilhantes aparecendo.
- Pouco antes da totalidade, pontos de luz brilham na borda da Lua, onde o Sol passa entre montanhas e vales lunares: são as contas de Baily e o efeito anel de diamante.
- A coroa solar fica visível a olho nu, com filamentos que mudam conforme a atividade do Sol.
- No horizonte, em todas as direções, aparece um brilho alaranjado, como um pôr do sol de 360 graus.
E no Brasil?
O eclipse de 2027 não será visível do Brasil. Para quem quiser acompanhar daqui, observatórios e agências espaciais costumam transmitir a totalidade ao vivo pela internet. O último eclipse solar de destaque no país foi o anular de 14 de outubro de 2023, visto como um anel de fogo em cidades do Nordeste, como Natal e João Pessoa.
Segurança em primeiro lugar
Olhar para o Sol sem proteção adequada causa lesões permanentes na retina, e a retina não dói: o dano pode acontecer sem que a pessoa perceba. Só é seguro olhar sem filtro durante os segundos de totalidade, e apenas dentro da faixa. Nas fases parciais, use:
- óculos de eclipse com filtro certificado pela norma ISO 12312-2, sem riscos ou furos;
- vidro de soldador com tonalidade 14 (os de tonalidade menor não protegem o suficiente);
- projeção indireta: um furo pequeno num papelão projeta a imagem do Sol numa folha branca.
Óculos escuros comuns, filmes fotográficos e radiografias não servem. E nunca aponte binóculo, telescópio ou câmera para o Sol sem um filtro solar próprio na frente da lente.