Fotografar o céu noturno já foi coisa só para quem tinha câmeras profissionais. Hoje, boa parte dos celulares tem modos noturnos capazes de registrar centenas de estrelas e até a faixa da Via Láctea. Os resultados dependem menos do modelo do aparelho do que de algumas técnicas simples.
1. Apoio firme é obrigatório
Fotos do céu precisam de exposições longas, de vários segundos, para acumular a pouca luz das estrelas. Na mão, qualquer tremor borra a imagem. Use um tripé pequeno com suporte para celular, que custa pouco, ou apoie o aparelho numa superfície firme, como uma pedra, um muro ou a própria mochila.
Para não balançar o celular ao tocar na tela, use o temporizador de 2 ou 3 segundos, um fone com botão de volume ou um controle remoto bluetooth.
2. Fuja das luzes
A poluição luminosa das cidades é o maior obstáculo. Em lugares escuros, longe da iluminação urbana, o mesmo celular registra muito mais estrelas. Prefira noites sem Lua, ou horários em que ela já se pôs, se o objetivo for a Via Láctea. Desligue as luzes do carro e evite lanternas brancas perto do enquadramento.
3. Use o modo certo
- Modo noite: muitos celulares ajustam tudo sozinhos quando estão num tripé e permitem exposições de até alguns minutos, empilhando várias fotos para reduzir o ruído. Experimente primeiro.
- Modo profissional (manual): se o seu celular tiver, ajuste o tempo de exposição entre 10 e 30 segundos, o ISO entre 800 e 3200 e o foco manual no infinito (o ícone de montanha ou o fim da escala).
- Formato RAW: se disponível, guarda mais informação para a edição depois.
Não use o zoom digital à noite: ele só recorta a imagem e aumenta o ruído. Prefira a lente principal do celular.
4. Fotografando a Lua
A Lua é o oposto: é muito brilhante e, no automático, vira uma bola branca estourada. Toque na Lua na tela para focar e reduza a exposição (o ícone de sol ao lado do foco) até as crateras aparecerem. Aqui a lente teleobjetiva do celular, se houver, ajuda bastante. Fotos da Lua perto do horizonte, com paisagem, costumam ser as mais bonitas.
5. Rastros de estrelas
Como a Terra gira, as estrelas se movem no céu. Se você tirar uma sequência de fotos por meia hora ou mais, com o celular parado, e depois somar as imagens num aplicativo de empilhamento, as estrelas formam arcos ao redor do polo celeste. No Brasil, apontar para o sul, perto do Cruzeiro, gera círculos ao redor do polo sul celeste.
6. Edição
Uma edição leve faz muita diferença: ajuste o contraste, reduza o brilho do céu de fundo, corrija a temperatura de cor para tirar o tom alaranjado da poluição luminosa e use a redução de ruído com moderação. Aplicativos de edição gratuitos fazem tudo isso.
Paciência e repetição
As primeiras fotos raramente saem como esperado. Teste diferentes tempos e ajustes, anote o que funcionou e volte outras noites. E vale lembrar o óbvio: a melhor câmera para o céu continua sendo o olho, depois de 20 minutos de adaptação ao escuro. Não deixe a foto roubar todo o tempo da observação.