Urano e Netuno são os planetas mais distantes do Sol e os menos conhecidos. Por serem compostos, em boa parte, de água, amônia e metano em estados de alta pressão, são chamados de gigantes de gelo, uma categoria diferente dos gigantes gasosos Júpiter e Saturno. A cor azulada dos dois vem do metano na atmosfera, que absorve a luz vermelha.
Urano, o planeta deitado
Urano foi o primeiro planeta descoberto com telescópio, pelo astrônomo William Herschel, em 13 de março de 1781. Até então, ninguém sabia que existiam planetas além de Saturno.
A sua característica mais estranha é o eixo, inclinado cerca de 98 graus. Na prática, Urano gira deitado, como uma bola rolando ao redor do Sol. Como o ano lá dura 84 anos terrestres, cada polo passa cerca de 42 anos seguidos iluminado e depois 42 anos no escuro. A explicação mais aceita é uma colisão gigante no passado distante.
Netuno, descoberto com papel e caneta
Netuno foi encontrado de um jeito único: primeiro na matemática. Pequenas irregularidades na órbita de Urano levaram o francês Urbain Le Verrier a calcular onde deveria estar um planeta desconhecido. Em 23 de setembro de 1846, o astrônomo Johann Galle apontou o telescópio para o local indicado e o encontrou em menos de uma hora de busca.
Netuno leva 165 anos para dar uma volta no Sol: só em 2011 completou a primeira órbita desde a sua descoberta.
Apesar de estar tão longe do Sol, Netuno tem os ventos mais rápidos medidos no Sistema Solar, que passam de 2 mil quilômetros por hora. Em 1989, a Voyager 2 fotografou uma enorme tempestade escura, a Grande Mancha Escura, que já tinha desaparecido quando o telescópio Hubble voltou a olhar para o planeta alguns anos depois.
Tritão, uma lua que anda na contramão
A maior lua de Netuno, Tritão, gira ao redor do planeta no sentido contrário ao da rotação dele, o que indica que provavelmente era um objeto do Cinturão de Kuiper capturado pela gravidade de Netuno. A Voyager 2 viu ali gêiseres lançando material escuro a quilômetros de altura, numa das superfícies mais frias já medidas.
Uma única visita
Tudo o que vimos de perto desses dois mundos veio de um único sobrevoo da Voyager 2: Urano em janeiro de 1986 e Netuno em agosto de 1989. Desde então, as observações vêm de telescópios como o Hubble e o James Webb, que em 2022 e 2023 mostraram os anéis finos dos dois planetas em luz infravermelha.
Por isso, uma missão dedicada a Urano foi apontada pela comunidade científica dos Estados Unidos como prioridade para as próximas décadas. Até lá, os gigantes de gelo seguem como uma das grandes lacunas do nosso mapa do Sistema Solar.
Dá para ver?
Urano fica no limite da visão a olho nu: com céu muito escuro e sabendo exatamente onde procurar, é possível notá-lo como uma estrela fraca. Com binóculo, é fácil. Netuno nunca é visível a olho nu; precisa de binóculo ou telescópio e de uma carta celeste ou aplicativo para ser identificado.