Quem já viu a Lua cheia nascendo atrás de prédios ou montanhas sabe: ela parece gigante. Horas depois, lá no alto do céu, parece ter encolhido. A sensação é forte e universal, mas o tamanho da Lua no céu praticamente não muda. É uma das ilusões de ótica mais antigas conhecidas.
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- Estique o braço e cubra a Lua com a unha do dedo mindinho quando ela estiver perto do horizonte. Repita quando estiver alta. A unha cobre a Lua nas duas situações.
- Fotografe a Lua com a mesma câmera e o mesmo zoom nos dois momentos. Nas fotos, o tamanho é o mesmo.
- Olhe a Lua no horizonte de cabeça para baixo, entre as pernas. Muitas pessoas relatam que a ilusão diminui.
A Lua ocupa no céu cerca de meio grau, mais ou menos o tamanho de uma ervilha segurada com o braço esticado. Ela é até um pouquinho menor quando está no horizonte, porque nesse momento fica mais longe de quem observa: a distância a mais é o raio da Terra.
Por que o cérebro se engana
A explicação completa ainda é discutida, mas as teorias mais aceitas envolvem a forma como o cérebro estima distâncias. Perto do horizonte, há referências (árvores, prédios, morros) que dão a sensação de que a Lua está muito longe. Lá no alto, sem nada em volta, o céu parece mais próximo, como uma cúpula achatada. Para um mesmo tamanho na retina, o cérebro conclui que o objeto "mais distante" deve ser maior.
A ilusão da Lua foi descrita por pensadores gregos há mais de dois mil anos e ainda rende artigos científicos.
O que muda de verdade perto do horizonte
A cor muda. Perto do horizonte, a luz da Lua atravessa uma camada muito mais grossa de atmosfera. O ar espalha mais a luz azul, e a Lua chega até nós alaranjada ou avermelhada, pelo mesmo motivo que deixa o pôr do sol colorido. A refração da atmosfera também achata um pouco a Lua no sentido vertical quando ela está bem baixa.
E a superlua?
A órbita da Lua não é um círculo perfeito. No ponto mais próximo, o perigeu, ela fica a cerca de 357 mil quilômetros da Terra; no mais distante, o apogeu, a uns 406 mil. Quando a Lua cheia coincide com a passagem perto do perigeu, temos a chamada superlua.
A diferença é real, mas pequena. Comparada com uma Lua cheia no apogeu, a superlua aparece cerca de 14% maior em diâmetro e uns 30% mais brilhante. Sem uma comparação lado a lado, é difícil notar a olho nu. O efeito que impressiona nas fotos de superlua costuma vir de teleobjetivas e do enquadramento perto do horizonte, ou seja, da mesma ilusão de sempre.
Para aproveitar
O momento mais bonito é logo depois do nascer da Lua cheia, quando ela ainda está baixa e alaranjada. A tabela de nascer e pôr da Lua para a sua cidade é publicada por observatórios e aplicativos de astronomia. Procure um lugar com horizonte livre na direção leste.