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Pilares da Criação: a foto mais famosa do Hubble, revista pelo Webb

Colunas de gás e poeira com alguns anos-luz de altura, na Nebulosa da Águia, a cerca de 6.500 anos-luz. Dentro delas, estrelas estão nascendo. A imagem de 1995 virou um ícone e ganhou novas versões em 2015 e 2022.

Os Pilares da Criação, na Nebulosa da Águia, fotografados pelo Hubble em luz infravermelha, que atravessa parte da poeira.
Os Pilares da Criação, na Nebulosa da Águia, fotografados pelo Hubble em luz infravermelha, que atravessa parte da poeira. · Imagem: NASA / GSFC

Em 1º de abril de 1995, o telescópio Hubble fotografou uma pequena região da Nebulosa da Águia, também conhecida como M16. A imagem, divulgada em novembro daquele ano, mostrava três colunas escuras de gás e poeira, iluminadas por trás, com pontas brilhantes. Ganhou o nome de Pilares da Criação e se tornou uma das fotos científicas mais conhecidas do mundo.

Onde fica e qual o tamanho

A Nebulosa da Águia fica na constelação da Serpente, a cerca de 6.500 anos-luz da Terra, numa direção do céu próxima à de Sagitário. Os pilares são enormes: a coluna mais alta tem cerca de 4 anos-luz de comprimento, quase a distância entre o Sol e a estrela mais próxima.

Esculpidos pela luz

Perto dos pilares há um aglomerado de estrelas jovens, quentes e muito massivas. A radiação ultravioleta e os ventos dessas estrelas vão evaporando o gás da nebulosa, num processo chamado fotoevaporação. As partes mais densas da nuvem resistem mais e ficam para trás, como colunas que sobram quando a água desgasta uma rocha mais mole ao redor.

Os Pilares da Criação são, ao mesmo tempo, berçário e cemitério: estrelas nascem dentro deles enquanto a luz de outras estrelas os destrói devagar.

Estrelas nascendo lá dentro

Dentro dos pilares, regiões ainda mais densas desabam pela própria gravidade e formam estrelas. Na luz visível, a poeira esconde quase tudo. Em 2015, o Hubble refotografou os pilares com câmeras mais modernas, em luz visível e infravermelha. Na versão infravermelha, os pilares ficam quase transparentes e aparecem estrelas escondidas.

Em outubro de 2022, o telescópio James Webb divulgou a sua versão, no infravermelho próximo e médio, com nitidez inédita. Os pontos vermelhos nas bordas dos pilares são estrelas recém-nascidas, ainda envoltas em gás e poeira, com algumas centenas de milhares de anos, uma idade de bebê para uma estrela.

As cores das fotos

As imagens dos pilares são feitas com filtros que registram faixas específicas de luz, como as emitidas por hidrogênio, oxigênio e enxofre. Cada faixa recebe uma cor na montagem final, para destacar a química e a estrutura da nebulosa. As cores não são inventadas, mas também não são exatamente o que um olho humano veria: são uma tradução científica.

Dá para ver do Brasil?

A Nebulosa da Águia fica numa região do céu que passa alta sobre o Brasil nas noites de inverno. Com binóculo, em céu escuro, dá para ver o aglomerado de estrelas como uma pequena mancha brilhante. Os pilares em si exigem telescópios grandes e fotografia de longa exposição: os detalhes que vemos nas imagens famosas estão muito além do que o olho alcança, mesmo num telescópio amador.

Quem escreveuRedação Singularity ZoneNotícias e guias sobre espaço e astronomia, escritos para quem olha para o céu com curiosidade.

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