quinta-feira, 29 de outubro de 2026Minguante gibosa hoje

Perseverance e Ingenuity: o que aprendemos rodando em Marte

O jipe-robô explora a cratera Jezero desde fevereiro de 2021 coletando amostras de rocha. O helicóptero que o acompanhou fez 72 voos antes de encerrar a missão.

Perseverance's Selfie with Ingenuity
Perseverance's Selfie with Ingenuity · Imagem: NASA / NASA/JPL-Caltech/MSSS

O jipe-robô Perseverance, da NASA, foi lançado em 30 de julho de 2020 e pousou em 18 de fevereiro de 2021 na cratera Jezero, em Marte. Tem o tamanho de um carro pequeno, cerca de uma tonelada, e é movido por um gerador nuclear que transforma em eletricidade o calor do decaimento de plutônio, sem depender da luz do Sol.

Por que Jezero

Imagens feitas da órbita mostravam que, há bilhões de anos, Jezero foi um lago alimentado por um rio, que deixou um delta na borda da cratera. Na Terra, sedimentos de lagos e deltas são ótimos para preservar sinais de vida microscópica. Se Marte teve vida no passado, esse é um dos melhores lugares para procurar vestígios.

Amostras para trazer à Terra

O Perseverance perfura rochas e guarda as amostras em tubos lacrados, do tamanho de um lápis. Algumas foram deixadas num depósito na superfície, como reserva; as outras seguem a bordo. A ideia é que uma futura missão as traga para análise em laboratórios na Terra, com instrumentos poderosos demais para caber numa sonda. O plano para essa volta, porém, foi revisto por causa do custo e ainda não tem formato e data definidos.

Em 2025, a NASA anunciou que uma amostra de uma rocha chamada Cheyava Falls apresenta possíveis bioassinaturas: padrões químicos e minerais que, na Terra, costumam estar ligados à atividade de micróbios. Os cientistas fazem questão de ressaltar que esses sinais também podem ter explicações não biológicas, e que só análises mais detalhadas podem resolver a questão.

Uma bioassinatura possível não é prova de vida: é um sinal que merece ser investigado com mais cuidado.

Oxigênio feito em Marte

A bordo do jipe, um experimento do tamanho de uma torradeira, o MOXIE, produziu oxigênio a partir do dióxido de carbono da atmosfera marciana, em vários testes entre 2021 e 2023. Foi uma demonstração de que, no futuro, astronautas poderão fabricar parte do oxigênio para respirar e para o combustível do foguete de volta.

O primeiro voo em outro planeta

O Perseverance levou consigo um pequeno helicóptero de 1,8 quilo, o Ingenuity. Voar em Marte é difícil: a atmosfera tem cerca de 1% da densidade da atmosfera da Terra, e as pás precisam girar a mais de 2 mil rotações por minuto para gerar sustentação.

Em 19 de abril de 2021, o Ingenuity fez o primeiro voo motorizado e controlado em outro planeta. Ele tinha sido planejado para cinco voos de teste. Fez 72, ajudando a equipe a escolher caminhos para o jipe, até que danos nas pás encerraram a missão em janeiro de 2024. Ao todo, passou mais de duas horas no ar.

O que vem por aí

Depois de explorar o fundo e o delta de Jezero, o Perseverance subiu a borda da cratera, onde há rochas ainda mais antigas, algumas possivelmente entre as mais velhas já estudadas de perto em Marte. Cada quilômetro rodado acrescenta mais uma página à história de um planeta que, um dia, teve água correndo na superfície.

Quem escreveuMesa de CiênciaTextos que explicam, sem pressa, como o universo funciona e como a ciência chegou até aqui.

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