O céu do Hemisfério Sul guarda alguns dos objetos mais interessantes da astronomia: o centro da Via Láctea passa alto, as Nuvens de Magalhães (duas galáxias vizinhas) estão sempre visíveis, e há aglomerados e nebulosas que nunca aparecem para quem está no Norte. O Brasil tem uma tradição de quase dois séculos estudando esse céu.
O Observatório Nacional
O Observatório Nacional foi criado por Dom Pedro I em 15 de outubro de 1827, no Rio de Janeiro, com o nome de Imperial Observatório. É uma das instituições científicas mais antigas do país. No início, a principal tarefa era prática: ensinar navegação e astronomia a oficiais e determinar posições e horários precisos, essenciais para mapas e para a navegação.
Uma dessas funções segue até hoje. O Observatório Nacional é o responsável pela Hora Legal Brasileira, a hora oficial do país, mantida por um conjunto de relógios atômicos e sincronizada com a referência internacional de tempo.
Quando o seu celular ajusta a hora automaticamente, a referência vem, em última instância, de relógios atômicos como os mantidos pelo Observatório Nacional.
Sobral, 1919
Em 29 de maio de 1919, um eclipse total do Sol foi observado em Sobral, no Ceará, por uma expedição britânica, e por uma equipe brasileira do Observatório Nacional, liderada pelo diretor Henrique Morize. As fotos feitas em Sobral pelos britânicos, que mediram o desvio da luz de estrelas ao passar perto do Sol, ajudaram a confirmar a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein. O episódio colocou uma cidade do sertão nordestino na história da física.
O Laboratório Nacional de Astrofísica
O Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), criado em 1985 e sediado em Itajubá (MG), é a instituição que dá aos astrônomos brasileiros acesso a telescópios. Ele opera o Observatório do Pico dos Dias, em Brazópolis, no sul de Minas Gerais, a cerca de 1.860 metros de altitude.
O principal instrumento ali é um telescópio com espelho de 1,6 metro de diâmetro, em funcionamento desde 1981, o maior instalado em território brasileiro. Por décadas, foi o principal instrumento de formação de astrônomos no país, usado em teses, pesquisas sobre estrelas variáveis, aglomerados, galáxias e no acompanhamento de objetos do Sistema Solar.
Por que os grandes telescópios estão no Chile
O clima úmido e as nuvens frequentes de boa parte do Brasil, além da poluição luminosa crescente, limitam o que os telescópios em território nacional conseguem fazer. Os melhores céus do mundo para astronomia ficam nos Andes chilenos, secos e altos. Por isso, o LNA também coordena a participação brasileira em grandes telescópios instalados no Chile, como o SOAR e o Gemini.
Astronomia que se aprende
Além da pesquisa, as duas instituições mantêm atividades de divulgação, como visitas, observações públicas e cursos. O Observatório Nacional fica no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, no mesmo campus do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), que guarda instrumentos históricos e recebe visitantes para observar o céu.