O programa CBERS, sigla em inglês para Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, é uma das parcerias de tecnologia mais duradouras entre países em desenvolvimento. O acordo foi assinado em 6 de julho de 1988 entre o Brasil e a China, com a ideia de dividir custos e conhecimento para construir satélites que fotografassem a superfície da Terra.
Por que satélites de observação
Para um país com território continental como o Brasil, satélites são a única forma prática de acompanhar, com regularidade, o que acontece em milhões de quilômetros quadrados: florestas, lavouras, rios, cidades, áreas de mineração, queimadas. Sem eles, seria impossível saber, por exemplo, quanto da Amazônia é desmatado a cada ano.
Antes do CBERS, o país dependia das imagens de satélites estrangeiros, principalmente os americanos da série Landsat.
A família de satélites
- CBERS-1: lançado em outubro de 1999 por um foguete chinês Longa Marcha.
- CBERS-2: lançado em outubro de 2003.
- CBERS-2B: lançado em 2007.
- CBERS-3: perdido numa falha do foguete, em dezembro de 2013.
- CBERS-4: lançado em dezembro de 2014, para substituir o anterior.
- CBERS-4A: lançado em dezembro de 2019, com câmeras de resolução melhor.
Os satélites são construídos em partes: cada país fica responsável por alguns subsistemas e câmeras. A integração e os testes são feitos ora no Brasil, no Laboratório de Integração e Testes do INPE, em São José dos Campos (SP), ora na China.
O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a liberar gratuitamente, pela internet, as imagens de seus satélites de observação da Terra.
Imagens gratuitas para todos
Em 2004, o INPE passou a distribuir as imagens do CBERS de graça pela internet. A decisão foi pioneira: na época, imagens de satélite costumavam ser caras e de acesso restrito. Universidades, prefeituras, órgãos ambientais, empresas e pesquisadores de vários países passaram a usar os dados. A política de acesso aberto, depois, foi adotada por outros programas, como o próprio Landsat.
Para que as imagens servem
- Acompanhar o desmatamento e as queimadas na Amazônia e no Cerrado.
- Mapear o uso agrícola e estimar safras.
- Acompanhar o crescimento das cidades e de áreas irregulares.
- Monitorar reservatórios, rios e desastres, como enchentes.
O futuro do programa
Brasil e China continuam a parceria, com novos satélites da série em desenvolvimento. Ao longo de mais de três décadas, o programa também formou gerações de engenheiros brasileiros e ajudou o país a dominar etapas da construção de satélites, um conhecimento usado depois no Amazonia-1, o primeiro satélite de observação da Terra inteiramente brasileiro.