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Marcos Pontes, o primeiro astronauta brasileiro, e a Missão Centenário

Em março de 2006, o piloto da Força Aérea decolou numa nave Soyuz, passou cerca de uma semana na Estação Espacial Internacional e fez experimentos de universidades e institutos brasileiros. A missão homenageou os cem anos do voo do 14-Bis.

Marcos Pontes, com a bandeira do Brasil, logo após o pouso da Soyuz no Cazaquistão, em abril de 2006.
Marcos Pontes, com a bandeira do Brasil, logo após o pouso da Soyuz no Cazaquistão, em abril de 2006. · Imagem: NASA / HQ

Marcos César Pontes nasceu em Bauru, no interior de São Paulo, em 1963. Formou-se piloto pela Academia da Força Aérea, foi piloto de caça e de testes e se graduou em engenharia aeronáutica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Em 1998, foi selecionado para ser o primeiro astronauta do Brasil.

O caminho até o espaço

A seleção fazia parte do acordo pelo qual o Brasil participaria da construção da Estação Espacial Internacional, fornecendo peças para a estação. Pontes foi treinar no Centro Espacial Johnson, da NASA, em Houston, nos Estados Unidos, onde se qualificou como especialista de missão. O Brasil, porém, não conseguiu cumprir a sua parte no acordo, e o voo num ônibus espacial americano não aconteceu.

A alternativa veio de um acordo com a agência espacial da Rússia. Pontes passou a treinar também na Cidade das Estrelas, perto de Moscou, para voar numa nave Soyuz, aprendendo russo e os sistemas da nave.

A Missão Centenário

A missão recebeu o nome de Missão Centenário em homenagem aos cem anos do voo do 14-Bis de Alberto Santos Dumont, realizado em Paris em 1906. Em 30 de março de 2006, a nave Soyuz TMA-8 decolou do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, levando Pontes, o cosmonauta russo Pavel Vinogradov e o astronauta americano Jeffrey Williams.

Pontes se tornou o primeiro brasileiro e o primeiro falante nativo de português a ir ao espaço.

Dois dias depois, a nave se acoplou à Estação Espacial Internacional. Na estação, Pontes conduziu experimentos científicos e educacionais propostos por universidades, institutos de pesquisa e escolas brasileiras, sobre temas como o comportamento de sementes, de enzimas e de líquidos em microgravidade.

A volta

Depois de cerca de uma semana na estação, Pontes voltou à Terra em 8 de abril de 2006 (já dia 9 no horário local do Cazaquistão), na nave Soyuz TMA-7, junto com os integrantes da tripulação anterior da estação, o americano William McArthur e o russo Valery Tokarev. A cápsula pousou nas estepes do Cazaquistão. A missão inteira durou cerca de dez dias.

Depois do voo

Após a missão, Pontes deixou a Força Aérea e passou a atuar em palestras e projetos de divulgação científica. Entre 2019 e 2022, foi ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações e, depois, foi eleito senador por São Paulo.

O voo de 2006 segue como o único de um astronauta brasileiro até hoje. Ele inspirou uma geração de estudantes a se interessar por ciência e engenharia e colocou o Brasil, ainda que por poucos dias, entre os países com cidadãos que já foram ao espaço.

Quem escreveuRedação Singularity ZoneNotícias e guias sobre espaço e astronomia, escritos para quem olha para o céu com curiosidade.

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