Marcos César Pontes nasceu em Bauru, no interior de São Paulo, em 1963. Formou-se piloto pela Academia da Força Aérea, foi piloto de caça e de testes e se graduou em engenharia aeronáutica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Em 1998, foi selecionado para ser o primeiro astronauta do Brasil.
O caminho até o espaço
A seleção fazia parte do acordo pelo qual o Brasil participaria da construção da Estação Espacial Internacional, fornecendo peças para a estação. Pontes foi treinar no Centro Espacial Johnson, da NASA, em Houston, nos Estados Unidos, onde se qualificou como especialista de missão. O Brasil, porém, não conseguiu cumprir a sua parte no acordo, e o voo num ônibus espacial americano não aconteceu.
A alternativa veio de um acordo com a agência espacial da Rússia. Pontes passou a treinar também na Cidade das Estrelas, perto de Moscou, para voar numa nave Soyuz, aprendendo russo e os sistemas da nave.
A Missão Centenário
A missão recebeu o nome de Missão Centenário em homenagem aos cem anos do voo do 14-Bis de Alberto Santos Dumont, realizado em Paris em 1906. Em 30 de março de 2006, a nave Soyuz TMA-8 decolou do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, levando Pontes, o cosmonauta russo Pavel Vinogradov e o astronauta americano Jeffrey Williams.
Pontes se tornou o primeiro brasileiro e o primeiro falante nativo de português a ir ao espaço.
Dois dias depois, a nave se acoplou à Estação Espacial Internacional. Na estação, Pontes conduziu experimentos científicos e educacionais propostos por universidades, institutos de pesquisa e escolas brasileiras, sobre temas como o comportamento de sementes, de enzimas e de líquidos em microgravidade.
A volta
Depois de cerca de uma semana na estação, Pontes voltou à Terra em 8 de abril de 2006 (já dia 9 no horário local do Cazaquistão), na nave Soyuz TMA-7, junto com os integrantes da tripulação anterior da estação, o americano William McArthur e o russo Valery Tokarev. A cápsula pousou nas estepes do Cazaquistão. A missão inteira durou cerca de dez dias.
Depois do voo
Após a missão, Pontes deixou a Força Aérea e passou a atuar em palestras e projetos de divulgação científica. Entre 2019 e 2022, foi ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações e, depois, foi eleito senador por São Paulo.
O voo de 2006 segue como o único de um astronauta brasileiro até hoje. Ele inspirou uma geração de estudantes a se interessar por ciência e engenharia e colocou o Brasil, ainda que por poucos dias, entre os países com cidadãos que já foram ao espaço.