quinta-feira, 29 de outubro de 2026Minguante gibosa hoje

O Sol, a estrela que nos mantém vivos

Uma esfera de gás com 4,6 bilhões de anos que transforma hidrogênio em hélio no núcleo, a 15 milhões de graus. A luz que sai da superfície leva oito minutos para chegar aqui.

O Sol fotografado pelo Observatório de Dinâmica Solar (SDO), da NASA, em luz ultravioleta.
O Sol fotografado pelo Observatório de Dinâmica Solar (SDO), da NASA, em luz ultravioleta. · Imagem: NASA / NASA/GSFC/Solar Dynamics Observatory

O Sol é uma estrela comum, de tamanho médio, e é exatamente por isso que existimos. Ele concentra cerca de 99,8% de toda a massa do Sistema Solar e caberiam nele mais de um milhão de Terras. Tem cerca de 4,6 bilhões de anos e deve continuar estável por mais alguns bilhões.

Uma usina de fusão

No núcleo, a temperatura chega a uns 15 milhões de graus e a pressão é enorme. Nessas condições, núcleos de hidrogênio se fundem e formam hélio, liberando energia. A cada segundo, o Sol converte milhões de toneladas de matéria em energia, segundo a famosa equação de Einstein, E = mc².

A energia produzida no centro leva muito tempo para chegar à superfície, porque fica sendo absorvida e reemitida pelo gás denso: estimativas falam em dezenas de milhares de anos ou mais. Já da superfície até nós, a luz viaja 150 milhões de quilômetros em cerca de 8 minutos e 20 segundos.

Quando olhamos para o Sol, vemos como ele era há pouco mais de oito minutos.

As camadas do Sol

  • Fotosfera: a superfície visível, a cerca de 5.500 °C. É onde aparecem as manchas solares, regiões mais frias e escuras ligadas ao campo magnético.
  • Cromosfera: uma camada fina acima da fotosfera, avermelhada, visível durante eclipses.
  • Coroa: a atmosfera externa, que passa de um milhão de graus. Por que ela é tão mais quente que a superfície ainda é uma das grandes perguntas da física solar.

O ciclo de 11 anos

A atividade do Sol sobe e desce num ciclo de cerca de 11 anos, marcado pelo número de manchas solares. No máximo do ciclo, há mais explosões solares e ejeções de massa coronal, nuvens de partículas que, quando atingem a Terra, podem causar auroras, interferir em satélites e em redes elétricas. O ciclo atual teve o seu máximo por volta de 2024 e 2025, quando auroras foram vistas em latitudes muito mais baixas que o normal.

Tocando o Sol

A sonda Parker Solar Probe, da NASA, lançada em 2018, é o objeto feito por humanos que mais se aproximou do Sol. Em 24 de dezembro de 2024, passou a cerca de 6,1 milhões de quilômetros da superfície, a uma velocidade de quase 700 mil quilômetros por hora, atravessando a coroa. Um escudo térmico de carbono protege os instrumentos.

O futuro do Sol

Daqui a uns 5 bilhões de anos, o hidrogênio do núcleo vai acabar. O Sol vai inchar e virar uma gigante vermelha, engolindo provavelmente Mercúrio e Vênus. Depois, vai soltar as camadas externas e restará um núcleo pequeno e quente, uma anã branca, do tamanho aproximado da Terra.

Um alerta importante: nunca olhe diretamente para o Sol, nem com óculos escuros, binóculo ou telescópio sem filtro solar certificado. A luz concentrada causa lesões permanentes na retina em segundos.

Quem escreveuMesa de CiênciaTextos que explicam, sem pressa, como o universo funciona e como a ciência chegou até aqui.

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