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New Horizons: de Plutão ao objeto mais distante já visitado

A sonda mais rápida já lançada da Terra levou nove anos e meio até Plutão. Depois, seguiu para o Cinturão de Kuiper e, no primeiro dia de 2019, passou por Arrokoth, um bloco de gelo de 4,5 bilhões de anos.

Ilustração da New Horizons passando por Arrokoth (então chamado 2014 MU69), no Cinturão de Kuiper.
Ilustração da New Horizons passando por Arrokoth (então chamado 2014 MU69), no Cinturão de Kuiper. · Imagem: NASA / NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute/Steve Gribben

Quando a New Horizons foi lançada, em 19 de janeiro de 2006, Plutão ainda era oficialmente um planeta. Poucos meses depois, foi reclassificado como planeta anão. A missão, porém, seguiu firme: ninguém tinha visto Plutão de perto, e o objetivo era justamente esse.

A nave mais rápida ao deixar a Terra

A New Horizons saiu da Terra a mais de 58 mil quilômetros por hora, a maior velocidade de lançamento já registrada. Cruzou a órbita da Lua em cerca de nove horas, um trajeto que as missões Apollo levavam três dias para fazer. Em 2007, passou por Júpiter e usou a gravidade do planeta como estilingue, ganhando ainda mais velocidade.

Para economizar energia e desgaste, a sonda passou boa parte da viagem em hibernação, acordando periodicamente para verificações.

O encontro com Plutão

Em 14 de julho de 2015, depois de nove anos e meio e quase 5 bilhões de quilômetros, a New Horizons passou a cerca de 12,5 mil quilômetros de Plutão. Como o sobrevoo foi rápido, sem possibilidade de entrar em órbita, toda a sequência de observações foi programada com antecedência.

O mundo revelado foi muito mais ativo do que se esperava: uma planície gigante de nitrogênio congelado em forma de coração, montanhas de gelo de água, sinais de geleiras que fluem e uma atmosfera em camadas de névoa azulada.

Com transmissões lentas, a mais de 4 bilhões de quilômetros, os dados do sobrevoo de Plutão levaram cerca de 15 meses para chegar completos à Terra.

Rumo ao Cinturão de Kuiper

Depois de Plutão, a missão foi estendida para visitar outro objeto do Cinturão de Kuiper, a região de corpos gelados além de Netuno. O alvo escolhido foi descoberto em 2014 com o telescópio Hubble e recebeu o nome de Arrokoth, palavra que significa céu na língua do povo Powhatan, nos Estados Unidos.

Em 1º de janeiro de 2019, a New Horizons passou por Arrokoth, a mais de 6,5 bilhões de quilômetros do Sol, o objeto mais distante já visitado por uma sonda. Ele tem cerca de 36 quilômetros de comprimento e é formado por dois lóbulos achatados unidos suavemente, como dois biscoitos encostados.

Uma janela para a origem dos planetas

Arrokoth praticamente não mudou desde a formação do Sistema Solar, há 4,5 bilhões de anos. A forma dele indica que os dois lóbulos se juntaram devagar, sem colisão violenta. Isso reforçou a ideia de que os primeiros blocos que formaram os planetas nasceram do colapso suave de nuvens de pequenas partículas.

A New Horizons continua viajando para fora do Sistema Solar, estudando o ambiente do Cinturão de Kuiper e outros objetos à distância. Deve ter energia para operar até a década de 2040.

Quem escreveuRedação Singularity ZoneNotícias e guias sobre espaço e astronomia, escritos para quem olha para o céu com curiosidade.

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