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Cassini: 13 anos em Saturno e um mergulho final planejado

A sonda descobriu jatos de água em Encélado, pousou um módulo em Titã e terminou a missão em 2017 se lançando contra Saturno, de propósito, para não contaminar luas que podem ter condições para a vida.

Ilustração da sonda Cassini mergulhando entre Saturno e os anéis no Grand Finale, em 2017.
Ilustração da sonda Cassini mergulhando entre Saturno e os anéis no Grand Finale, em 2017. · Imagem: NASA / NASA/JPL-Caltech

A missão Cassini-Huygens foi uma das mais ambiciosas já enviadas aos planetas externos. Uma parceria entre NASA, Agência Espacial Europeia e Agência Espacial Italiana, foi lançada em 15 de outubro de 1997 e levou quase sete anos para chegar a Saturno, entrando em órbita em 30 de junho de 2004 (1º de julho pelo horário universal).

O pouso mais distante da história

A Cassini levava acoplada a sonda europeia Huygens, que foi solta em direção a Titã, a maior lua de Saturno. Em 14 de janeiro de 2005, a Huygens atravessou a atmosfera densa e alaranjada de Titã de paraquedas e pousou na superfície. É, até hoje, o pouso mais distante da Terra já realizado.

As imagens da descida mostraram canais de drenagem, como leitos de rios, e o solo apareceu salpicado de pedrinhas arredondadas de gelo de água. Depois, os radares da Cassini revelaram lagos e mares de metano e etano líquidos perto dos polos de Titã.

A surpresa de Encélado

Uma das maiores descobertas veio de uma lua pequena, Encélado, com cerca de 500 quilômetros de diâmetro. Em 2005, a Cassini detectou jatos de vapor de água e partículas de gelo saindo de rachaduras no polo sul. Mais tarde, a sonda chegou a voar através desses jatos e analisou o material: água salgada, compostos orgânicos e sinais de atividade hidrotermal.

Encélado guarda um oceano de água líquida sob uma crosta de gelo, e a Cassini provou isso coletando amostras sem pousar.

Os anéis por dentro

Ao longo de 13 anos, a Cassini acompanhou tempestades em Saturno, como a enorme tempestade que deu a volta no planeta em 2010 e 2011, mapeou o hexágono de nuvens do polo norte e estudou os anéis em detalhes, encontrando pequenas luas escondidas que abrem caminhos entre eles.

O Grand Finale

Em 2017, o combustível estava acabando. Deixar a sonda à deriva seria um risco: um dia ela poderia cair em Titã ou Encélado e levar micróbios da Terra que tivessem sobrevivido a bordo, contaminando mundos que podem ter condições para a vida. A NASA decidiu, então, encerrar a missão de forma controlada.

Antes disso, a Cassini fez 22 mergulhos pelo espaço estreito entre Saturno e os anéis, uma região nunca visitada, medindo o campo gravitacional e a massa dos anéis. Em 15 de setembro de 2017, mergulhou na atmosfera de Saturno, transmitindo dados até o último segundo, e se desintegrou como um meteoro.

O legado

A Cassini enviou centenas de milhares de imagens e dados que ainda alimentam milhares de estudos científicos. As descobertas em Titã e Encélado motivaram novas missões: a NASA prepara a Dragonfly, um helicóptero movido a energia nuclear que deve voar pela superfície de Titã na próxima década.

Quem escreveuMesa de CiênciaTextos que explicam, sem pressa, como o universo funciona e como a ciência chegou até aqui.

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