quinta-feira, 29 de outubro de 2026Minguante gibosa hoje

Como o INPE acompanha o desmatamento da Amazônia pelo espaço

Desde 1988, o sistema PRODES mede a área desmatada na Amazônia a cada ano com imagens de satélite. Outro sistema, o DETER, envia alertas quase diários. Os dados são públicos e referência no mundo.

Desmatamento em Rondônia, no padrão conhecido como espinha de peixe, fotografado do ônibus espacial em 1992.
Desmatamento em Rondônia, no padrão conhecido como espinha de peixe, fotografado do ônibus espacial em 1992. · Imagem: NASA / JSC

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), com sede em São José dos Campos (SP), nasceu em 1961, com outro nome, para organizar as atividades espaciais do país. Ganhou o nome atual em 1971. Hoje, é conhecido no mundo todo por um trabalho em especial: medir, com satélites, o desmatamento da maior floresta tropical do planeta.

PRODES: a medida oficial

O Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite, o PRODES, mede desde 1988 a área de floresta derrubada a cada ano. Especialistas analisam imagens de satélite de toda a região, comparando cada área com o ano anterior para identificar novos desmatamentos com corte raso, aqueles em que a floresta é totalmente removida.

O período de medição vai de agosto de um ano a julho do seguinte, para coincidir com a estação seca, quando há menos nuvens. O resultado é a taxa oficial de desmatamento da Amazônia usada pelo governo, por pesquisadores e em compromissos internacionais do Brasil.

O maior valor da série recente foi registrado em 2004, com cerca de 27,8 mil quilômetros quadrados desmatados em um ano, uma área praticamente do tamanho do estado de Alagoas.

Depois desse pico, a taxa caiu bastante até 2012, voltou a subir nos anos seguintes e, mais recentemente, voltou a cair. Em 2024, o PRODES registrou cerca de 6,3 mil quilômetros quadrados, o menor valor desde 2015.

DETER: o alerta rápido

O PRODES é preciso, mas anual. Para que a fiscalização possa agir enquanto o desmatamento acontece, o INPE criou em 2004 o DETER, o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real. Ele usa imagens de satélites que passam com mais frequência, mesmo com resolução menor, e envia quase diariamente alertas de novas áreas desmatadas ou degradadas para órgãos como o Ibama.

Fogo e outros biomas

O INPE também mantém o Programa Queimadas, que detecta focos de calor em todo o país com satélites meteorológicos e de observação, e estendeu o monitoramento do desmatamento ao Cerrado e a outros biomas brasileiros.

De onde vêm as imagens

O monitoramento usa imagens de vários satélites: os americanos Landsat, os europeus Sentinel, os satélites sino-brasileiros CBERS e o Amazonia-1, o primeiro satélite brasileiro de observação da Terra. Ter satélites próprios dá ao país mais autonomia para manter o trabalho.

Transparência como referência

Os dados do PRODES e do DETER são públicos: qualquer pessoa pode baixar os mapas e conferir onde houve desmatamento, ano a ano. Essa transparência, rara em sistemas de monitoramento ambiental, fez do trabalho do INPE uma referência internacional e permitiu que pesquisadores independentes do mundo inteiro estudassem a dinâmica da floresta.

O mesmo padrão de desmatamento que os satélites registram pode ser visto em fotos tiradas por astronautas: em Rondônia, as estradas abertas na floresta e os lotes que se espalham dos dois lados formam o desenho conhecido como espinha de peixe, visível do espaço.

Quem escreveuRedação Singularity ZoneNotícias e guias sobre espaço e astronomia, escritos para quem olha para o céu com curiosidade.

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