Em média, a Lua está a cerca de 384.400 quilômetros da Terra. Sabemos esse número com uma precisão impressionante, de poucos milímetros, graças a um experimento que começou em 1969 e continua funcionando até hoje.
Espelhos na Lua
Os astronautas das missões Apollo 11, 14 e 15 deixaram na superfície lunar painéis com dezenas de prismas especiais, chamados retrorrefletores. Eles têm uma propriedade útil: devolvem a luz exatamente na direção de onde ela veio. Dois veículos soviéticos que andaram pela Lua, os Lunokhod 1 e 2, também levaram refletores parecidos.
Observatórios na Terra disparam pulsos de laser na direção desses espelhos e medem quanto tempo a luz leva para ir e voltar, cerca de 2,5 segundos. Como a velocidade da luz é conhecida, o tempo dá a distância. O desafio é enorme: de cada bilhões de bilhões de fótons disparados, só um punhado volta e é detectado.
Medir a distância até a Lua com laser é como acertar, daqui, uma moeda a centenas de quilômetros e ainda ver o brilho do reflexo.
3,8 centímetros por ano
Décadas de medições mostram que a Lua se afasta da Terra cerca de 3,8 centímetros por ano, mais ou menos a velocidade com que crescem as nossas unhas. A causa são as marés.
A Terra gira mais rápido do que a Lua dá a volta ao redor dela. Por isso, os bojos de maré que a Lua provoca nos oceanos e na crosta são arrastados um pouco à frente da Lua pela rotação da Terra. Esse bojo adiantado puxa a Lua para a frente na sua órbita, dando a ela um pouco mais de energia, e a órbita vai se alargando.
Os dias estão ficando mais longos
A mesma interação funciona como um freio na rotação da Terra: a energia que a Lua ganha sai do giro do nosso planeta. O efeito é pequeno, de cerca de 2 milésimos de segundo por século no comprimento do dia, mas se acumula ao longo de eras geológicas.
Fósseis de corais com centenas de milhões de anos registram camadas de crescimento diárias e anuais. Contando essas camadas, os cientistas estimam que, há uns 400 milhões de anos, o ano tinha cerca de 400 dias, mais curtos que os de hoje.
E os eclipses totais?
Hoje, por coincidência, a Lua e o Sol têm quase o mesmo tamanho aparente no céu. É isso que permite os eclipses totais do Sol, em que a Lua cobre exatamente o disco solar. Como a Lua se afasta, ela vai parecendo menor. Num futuro distante, de centenas de milhões de anos, não cobrirá mais o Sol inteiro, e só haverá eclipses anulares, com um anel de luz ao redor.
Mais do que distância
O experimento do laser lunar também serve para testar a teoria da gravidade de Einstein com precisão, estudar o interior da Lua (que parece ter uma parte líquida no núcleo) e medir pequenas variações na rotação da Terra. Os espelhos deixados há mais de meio século seguem entre os instrumentos científicos mais duradouros já colocados fora da Terra.