Quando as primeiras rochas lunares chegaram à Terra, em 1969, os cientistas ficaram impressionados com uma coisa: eram secas, muito mais secas que qualquer rocha terrestre. Por muitos anos, a ideia dominante foi a de uma Lua sem água. Essa visão mudou bastante nas últimas décadas.
Lugares onde o Sol nunca bate
O eixo de rotação da Lua é quase perpendicular à órbita da Terra ao redor do Sol. Por isso, perto dos polos lunares, o Sol fica sempre baixo no horizonte. O fundo de algumas crateras profundas nunca recebe luz direta. São as regiões permanentemente sombreadas.
Ali, as temperaturas ficam abaixo de 200 °C negativos, entre as mais frias já medidas no Sistema Solar. Qualquer molécula de água que chegue a esses lugares, trazida por cometas, asteroides ou formada pela interação do vento solar com o solo, fica presa como gelo por bilhões de anos. Os cientistas chamam essas crateras de armadilhas frias.
Como confirmaram
- Hidrogênio nos polos: nos anos 1990, as sondas Clementine e Lunar Prospector detectaram excesso de hidrogênio perto dos polos, uma pista indireta de gelo.
- O impacto proposital: em 9 de outubro de 2009, a missão LCROSS, da NASA, lançou um estágio de foguete contra a cratera Cabeus, perto do polo sul, e analisou a nuvem de material levantada. Os instrumentos detectaram água.
- Mapas de minerais: em 2009, um instrumento da NASA a bordo da sonda indiana Chandrayaan-1 encontrou sinais de água e hidroxila espalhados em finas camadas pela superfície.
- Água até na parte iluminada: em 2020, observações do observatório aéreo SOFIA detectaram moléculas de água em uma cratera iluminada pelo Sol, em quantidades pequenas, presas nos grãos do solo.
A quantidade de água na parte iluminada é pequena: menos do que a de um deserto da Terra. As grandes reservas, se existirem, estão no escuro dos polos.
Por que isso importa tanto
Levar água da Terra para o espaço é caro: cada quilo lançado custa muito. Se for possível extrair gelo dos polos lunares, ele pode virar água para beber, oxigênio para respirar e, separando hidrogênio e oxigênio, combustível de foguete. Uma base lunar que produza parte dos próprios recursos fica muito mais viável.
É por isso que o programa Artemis, da NASA, escolheu a região do polo sul para os próximos pousos tripulados, e que outras agências também miram a área. Em 2023, a sonda indiana Chandrayaan-3 fez o pouso mais próximo do polo sul até então.
O que ainda não se sabe
Ainda não se sabe com precisão quanto gelo existe, nem como ele está distribuído: se em blocos concentrados ou misturado em pequenas quantidades ao solo. Também não se sabe se extraí-lo será prático. Responder a essas perguntas é um dos principais objetivos das missões robóticas e tripuladas à região nos próximos anos.