Quem vive no litoral conhece o vaivém: duas vezes por dia, em muitas praias, o mar sobe e desce. O responsável principal está a cerca de 384 mil quilômetros de distância. É a Lua.
Por que duas marés altas, e não uma
A gravidade diminui com a distância. Por isso, a Lua puxa com mais força o lado da Terra que está mais perto dela, com força intermediária o centro do planeta e com menos força o lado oposto. Essa diferença de puxões estica a Terra levemente ao longo da linha que aponta para a Lua.
O resultado são dois "bojos" de água: um voltado para a Lua, onde o oceano é puxado com mais força que o centro da Terra, e outro do lado contrário, onde a água fica "para trás" porque é puxada com menos força. Como a Terra gira, cada lugar do litoral passa por esses dois bojos ao longo do dia, o que explica as duas marés altas e as duas marés baixas.
Como a Lua também anda na sua órbita, o ciclo completo leva cerca de 24 horas e 50 minutos. Por isso as marés atrasam pouco menos de uma hora por dia.
O Sol também puxa
O Sol tem muito mais massa que a Lua, mas está tão longe que o seu efeito de maré é menos da metade do efeito lunar. Mesmo assim, ele faz diferença.
- Marés de sizígia (ou de águas vivas): na Lua nova e na Lua cheia, Sol, Terra e Lua ficam alinhados e as forças se somam. As marés altas ficam mais altas e as baixas, mais baixas.
- Marés de quadratura (ou de águas mortas): nos quartos crescente e minguante, Sol e Lua puxam em direções perpendiculares e os efeitos se compensam em parte. A diferença entre maré alta e baixa fica menor.
A maior amplitude de maré do mundo acontece na Baía de Fundy, no Canadá, onde a diferença entre maré alta e baixa passa de 15 metros.
A forma da costa manda muito
Na prática, a altura das marés depende muito do formato do litoral e do fundo do mar. Baías estreitas e longas concentram a água e amplificam o efeito. No Brasil, as maiores marés ficam no litoral do Maranhão: na região de São Luís, a amplitude pode chegar a 7 metros. Em outras partes da costa, a variação é de poucos palmos. Em alguns lugares do mundo, a combinação de fatores produz uma só maré alta por dia.
No Rio Amazonas, a maré de sizígia que entra pelo estuário forma uma onda que sobe o rio com força, a pororoca, famosa entre surfistas.
Marés que mudam o tempo
As marés também dissipam energia. Esse atrito, ao longo de bilhões de anos, vem freando a rotação da Terra e fazendo a Lua se afastar devagar, cerca de 3,8 centímetros por ano. E não é só a água: a parte sólida da Terra também sobe e desce algumas dezenas de centímetros por dia por causa da Lua, sem que a gente perceba.