Durante séculos, a pergunta "existem planetas ao redor de outras estrelas?" foi pura especulação. A resposta veio nos anos 1990 e mudou a forma como vemos o nosso lugar no universo. Hoje sabemos que planetas são extremamente comuns: a maioria das estrelas da galáxia deve ter pelo menos um.
As primeiras descobertas
Os primeiros exoplanetas confirmados foram encontrados em 1992, girando em torno de um pulsar, o núcleo morto e girante de uma estrela que explodiu. Era um ambiente hostil, e por isso a descoberta, embora histórica, não respondia à pergunta sobre estrelas como o Sol.
Em 1995, os astrônomos suíços Michel Mayor e Didier Queloz anunciaram 51 Pegasi b, um planeta gigante que orbita uma estrela parecida com o Sol. A surpresa: ele é do tamanho de Júpiter, mas fica tão perto da estrela que dá uma volta em apenas quatro dias. Ninguém imaginava que planetas assim existissem. A descoberta rendeu o Nobel de Física de 2019.
Como achar um planeta que não dá para ver
Os planetas são minúsculos e apagados perto das suas estrelas, que os ofuscam. Por isso, a maioria foi encontrada de forma indireta:
- Trânsito: quando o planeta passa na frente da estrela, o brilho dela cai um pouquinho, de forma regular. Pelo tamanho da queda, sabe-se o tamanho do planeta.
- Velocidade radial: o planeta puxa a estrela, que "balança" levemente. Esse vaivém muda um pouco a cor da luz da estrela, e dá para medir a massa do planeta.
- Microlente gravitacional: quando uma estrela com planeta passa na frente de outra mais distante, a gravidade age como uma lente e amplia a luz de fundo por um tempo, revelando o planeta.
- Imagem direta: com técnicas para bloquear a luz da estrela, alguns planetas grandes e afastados já foram fotografados.
Os caçadores de planetas
O telescópio espacial Kepler, da NASA, observou o mesmo campo de estrelas entre 2009 e 2013 e, depois, outras regiões até 2018. Encontrou milhares de planetas pelo método do trânsito e mostrou que planetas pequenos, do tamanho da Terra ou pouco maiores, são muito comuns. O sucessor, TESS, lançado em 2018, vasculha quase o céu inteiro procurando planetas ao redor de estrelas próximas e brilhantes.
O catálogo de exoplanetas da NASA passou de cinco mil planetas confirmados em 2022 e de seis mil em 2025, com milhares de candidatos ainda aguardando confirmação.
Hoje sabemos que planetas são a regra, não a exceção: a maioria das estrelas deve ter pelo menos um.
Mundos que não existem aqui
A variedade surpreendeu. Há Júpiteres quentes, gigantes colados nas suas estrelas; super-Terras e mini-Netunos, tamanhos que não existem no Sistema Solar e que parecem ser os tipos mais comuns da galáxia; planetas que giram ao redor de duas estrelas, como no cinema; e sistemas compactos como o de TRAPPIST-1, a cerca de 40 anos-luz, com sete planetas do tamanho aproximado da Terra.
A estrela mais próxima do Sol, Proxima Centauri, a 4,2 anos-luz, também tem pelo menos um planeta, Proxima b, descoberto em 2016 na região onde poderia existir água líquida.
O próximo passo: as atmosferas
Saber o tamanho e a órbita de um planeta não diz se ele é habitável. Para isso, é preciso estudar a atmosfera. Quando um planeta passa na frente da estrela, um pouco da luz atravessa a atmosfera dele, e as moléculas presentes deixam marcas nessa luz. O telescópio James Webb já detectou dessa forma dióxido de carbono, vapor de água e outras moléculas em vários exoplanetas.
Detectar sinais de vida, se existirem, exigirá telescópios ainda maiores e muito cuidado, porque quase toda molécula que pode ser produzida por seres vivos também pode surgir por processos sem vida.