As estrelas parecem eternas, mas têm ciclo de vida: nascem, passam a maior parte do tempo estáveis e um dia morrem. Como a vida delas dura de milhões a trilhões de anos, nenhum astrônomo acompanha uma estrela do começo ao fim. A história foi montada observando milhares de estrelas em fases diferentes, como quem entende o ciclo de vida das árvores olhando uma floresta inteira.
O nascimento
Estrelas nascem dentro de nuvens enormes de gás (principalmente hidrogênio) e poeira, as nebulosas. Quando uma região da nuvem fica densa o bastante, por exemplo empurrada pela onda de choque de uma supernova próxima, a gravidade a faz desabar sobre si mesma. O centro esquenta até que, a uns 10 milhões de graus, o hidrogênio começa a se fundir em hélio. Nasce uma estrela.
O material que sobra ao redor forma um disco, onde podem nascer planetas. Foi assim que o Sol e a Terra surgiram, há cerca de 4,6 bilhões de anos.
A vida adulta
Durante a maior parte da vida, uma estrela vive num equilíbrio: a gravidade puxa tudo para dentro, e a energia da fusão no núcleo empurra para fora. Os astrônomos chamam essa fase de sequência principal.
Quanto mais massa uma estrela tem, mais rápido ela queima o combustível: as gigantes vivem poucos milhões de anos; as pequenas, trilhões.
A cor de uma estrela indica a temperatura da superfície: as azuladas são as mais quentes, e as avermelhadas, as mais frias. No céu, é fácil notar a diferença comparando Rigel, azulada, e Betelgeuse, avermelhada, na constelação de Órion.
A morte de uma estrela como o Sol
Quando o hidrogênio do núcleo acaba, uma estrela como o Sol incha e vira uma gigante vermelha, centenas de vezes maior. Depois, solta as camadas externas no espaço, formando uma nuvem colorida chamada nebulosa planetária (o nome é antigo e não tem relação com planetas). O que resta é o núcleo: uma anã branca, do tamanho da Terra, mas tão densa que uma colher de chá da sua matéria pesaria toneladas. Ela esfria devagar por bilhões de anos.
A morte das gigantes
Estrelas com mais de umas oito massas solares vão mais longe na fusão, fabricando elementos cada vez mais pesados, como carbono, oxigênio, silício e, por fim, ferro. Fundir ferro não libera energia. Quando o núcleo vira ferro, ele colapsa em menos de um segundo, e a estrela explode numa supernova, que pode brilhar mais que uma galáxia inteira por semanas.
Do núcleo pode sobrar uma estrela de nêutrons, com mais massa que o Sol espremida numa esfera do tamanho de uma cidade, ou, nas estrelas mais pesadas, um buraco negro.
A supernova registrada em 1054
Em 1054, astrônomos chineses registraram uma "estrela convidada" tão brilhante que foi visível de dia por semanas. No local, hoje está a Nebulosa do Caranguejo, os restos dessa explosão, a cerca de 6.500 anos-luz. No centro dela gira um pulsar, uma estrela de nêutrons que dá cerca de 30 voltas por segundo.
Somos poeira de estrelas
O hidrogênio do nosso corpo veio do Big Bang. Mas o carbono das nossas células, o oxigênio que respiramos e o cálcio dos ossos foram fabricados dentro de estrelas e espalhados quando elas morreram. Elementos como o ouro e a platina vêm de eventos ainda mais violentos, como a colisão de estrelas de nêutrons, observada pela primeira vez em 2017. Não é uma metáfora: somos, literalmente, feitos de restos de estrelas.