As auroras estão entre os espetáculos mais bonitos da natureza: cortinas de luz verde, às vezes vermelha e roxa, que ondulam no céu noturno das regiões polares. No Hemisfério Norte, são chamadas de auroras boreais; no Sul, de auroras austrais. A origem delas fica a 150 milhões de quilômetros, no Sol.
O vento que sai do Sol
O Sol lança continuamente para o espaço um fluxo de partículas eletricamente carregadas, principalmente elétrons e prótons: o vento solar. De tempos em tempos, também solta grandes nuvens desse material, as ejeções de massa coronal, que viajam pelo espaço a centenas ou milhares de quilômetros por segundo.
O escudo magnético da Terra
A Terra tem um campo magnético, gerado pelo movimento de metal derretido no núcleo do planeta. Esse campo forma uma espécie de escudo, a magnetosfera, que desvia a maior parte do vento solar. Mas parte das partículas fica presa no campo e é guiada pelas linhas magnéticas na direção dos polos, onde elas entram na atmosfera.
As auroras formam ovais ao redor dos polos magnéticos da Terra, numa faixa que fica sobre regiões como o norte da Escandinávia, o Alasca, o Canadá e a Antártida.
As cores das auroras
Quando as partículas do Sol chocam-se com os gases da atmosfera, a uns 100 a 300 quilômetros de altitude, transferem energia para os átomos e moléculas, que devolvem essa energia na forma de luz. A cor depende do gás e da altitude:
- Verde: a cor mais comum, emitida pelo oxigênio a cerca de 100 a 250 quilômetros de altura.
- Vermelho: também do oxigênio, mas em altitudes maiores, acima de uns 250 quilômetros. Aparece em auroras intensas e é a cor mais vista em latitudes baixas.
- Azul e roxo: emitidos pelo nitrogênio, geralmente nas partes mais baixas das cortinas.
As câmeras costumam captar cores mais intensas do que o olho humano, que enxerga pior as cores no escuro. Muitas auroras fracas parecem acinzentadas a olho nu e só revelam o verde na foto.
Quando as auroras descem
Em tempestades geomagnéticas fortes, provocadas por grandes ejeções do Sol, o oval das auroras se expande e as luzes aparecem muito mais perto do Equador. Em setembro de 1859, no chamado Evento Carrington, a tempestade solar mais forte já registrada, auroras foram vistas até em regiões tropicais, e as linhas de telégrafo soltaram faíscas.
Em maio de 2024, uma tempestade geomagnética de nível máximo produziu auroras registradas em lugares onde quase nunca aparecem, do México ao norte da Índia. Na época, o Sol estava perto do máximo do seu ciclo de atividade de cerca de 11 anos.
E no Brasil?
O Brasil fica longe dos dois polos magnéticos, e as auroras são raríssimas no país. Só tempestades excepcionais poderiam trazer um brilho avermelhado e fraco, baixo no horizonte sul, para o extremo Sul do país, e mesmo assim provavelmente mais visível em fotos de longa exposição do que a olho nu.
Uma curiosidade: sobre o Brasil e o Atlântico Sul existe uma região em que o campo magnético da Terra é mais fraco, a Anomalia Magnética do Atlântico Sul. Ela não produz auroras, mas permite que partículas cheguem mais perto da superfície, e satélites e a própria Estação Espacial recebem mais radiação quando passam por cima dela.
Para ver auroras com segurança e regularidade, o caminho é viajar para o norte da Noruega, da Finlândia, da Islândia, do Canadá ou para o extremo sul do Chile e da Argentina, nos meses de noites longas.