quinta-feira, 29 de outubro de 2026Minguante gibosa hoje

Andrômeda e a Via Láctea podem se encontrar, mas não tão cedo

A galáxia vizinha está a cerca de 2,5 milhões de anos-luz e se aproxima. Por muito tempo, a colisão foi dada como certa; um estudo de 2025 indicou que a chance é de cerca de 50% nos próximos 10 bilhões de anos.

Andromeda Galaxy
Andromeda Galaxy · Imagem: NASA / NASA/JPL/California Institute of Technology

Andrômeda, também chamada de M31, é a grande galáxia espiral mais próxima de nós, a cerca de 2,5 milhões de anos-luz. Tem algo como um trilhão de estrelas, mais que a nossa Via Láctea. É um dos objetos mais distantes que dá para ver a olho nu: a luz que chega aos nossos olhos saiu de lá há 2,5 milhões de anos, quando a nossa espécie ainda não existia.

De "nebulosa" a galáxia

Até o começo do século 20, Andrômeda era chamada de nebulosa, e havia um debate sobre se ela fazia parte da nossa galáxia. Em 1923 e 1924, o astrônomo Edwin Hubble identificou nela estrelas variáveis cefeidas, que funcionam como réguas de distância, e mostrou que ela estava muito além dos limites da Via Láctea. Foi a prova de que o universo é feito de muitas galáxias.

Vindo em nossa direção

A maioria das galáxias se afasta de nós por causa da expansão do universo. Andrômeda é uma exceção: está tão perto que a atração gravitacional entre ela e a Via Láctea vence a expansão. Ela se aproxima a cerca de 110 quilômetros por segundo.

Em 2012, medições do telescópio Hubble indicaram que o movimento era quase de frente, e por mais de uma década a colisão foi apresentada como praticamente certa, daqui a uns 4 a 5 bilhões de anos.

Em 2025, uma nova análise com dados dos telescópios Gaia e Hubble mostrou que o futuro é bem mais incerto do que se pensava.

Uma chance de cara ou coroa

O estudo, publicado em 2025, considerou também a influência de outras galáxias do nosso grupo local, como a Galáxia do Triângulo (M33) e a Grande Nuvem de Magalhães, além das incertezas nas medições. Simulando milhares de futuros possíveis, os pesquisadores concluíram que a chance de Andrômeda e a Via Láctea se fundirem nos próximos 10 bilhões de anos é de cerca de 50%. E, quando acontece, a fusão tende a ser mais tardia do que se estimava.

Colisão sem batidas

Se o encontro acontecer, não haverá uma catástrofe de estrelas se chocando. O espaço entre as estrelas é tão grande que as colisões diretas seriam raríssimas: seria como misturar dois enxames de abelhas com quilômetros entre cada abelha. O que muda é a forma: as forças gravitacionais deformariam as duas espirais, que, ao longo de centenas de milhões de anos, acabariam formando uma única galáxia, provavelmente elíptica.

De qualquer forma, isso está muito além da escala de tempo que importa para a Terra: daqui a alguns bilhões de anos, o próprio Sol estará mudando e tornando o nosso planeta inabitável.

Como ver Andrômeda do Brasil

Do Brasil, Andrômeda aparece baixa no horizonte norte, nas noites de outubro a dezembro. Com céu escuro, longe das luzes da cidade, ela é visível a olho nu como uma mancha alongada e fraca. Com binóculo, fica mais fácil. Quanto mais ao norte do país, mais alta ela aparece.

Quem escreveuRedação Singularity ZoneNotícias e guias sobre espaço e astronomia, escritos para quem olha para o céu com curiosidade.

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