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Por que existem as estações do ano (não é a distância do Sol)

A Terra fica mais perto do Sol em janeiro, no auge do verão brasileiro e do inverno no Norte. O que faz as estações é a inclinação do eixo do planeta, de cerca de 23,4 graus.

A Terra inteira iluminada pelo Sol, fotografada pela câmera EPIC do satélite DSCOVR, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros, em outubro de 2015.
A Terra inteira iluminada pelo Sol, fotografada pela câmera EPIC do satélite DSCOVR, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros, em outubro de 2015. · Imagem: NASA / GSFC

Pergunte a um grupo de pessoas por que faz calor no verão e frio no inverno, e muitas vão responder que, no verão, a Terra está mais perto do Sol. A explicação parece lógica, mas está errada. Um dado simples derruba essa ideia: quando é verão no Brasil, é inverno na Europa e nos Estados Unidos. Se a distância fosse a causa, o planeta inteiro teria verão ao mesmo tempo.

A Terra fica mais perto do Sol em janeiro

A órbita da Terra é quase circular, só um pouco alongada. Todo ano, no começo de janeiro, a Terra passa pelo ponto mais próximo do Sol, o periélio, a cerca de 147 milhões de quilômetros. No começo de julho, passa pelo ponto mais distante, o afélio, a cerca de 152 milhões. A diferença é de apenas 3%, pequena demais para explicar as estações.

A causa real: o eixo inclinado

O eixo de rotação da Terra é inclinado cerca de 23,4 graus em relação ao plano da órbita, e aponta sempre para a mesma direção no espaço enquanto o planeta gira ao redor do Sol. Por isso, durante metade do ano, o Hemisfério Sul fica mais voltado para o Sol; na outra metade, é o Hemisfério Norte.

As estações do ano existem porque a Terra é inclinada. Se o eixo fosse reto, cada lugar teria praticamente o mesmo clima o ano todo.

Quando um hemisfério está voltado para o Sol, acontecem duas coisas:

  • O Sol fica mais alto no céu. Os raios chegam mais perpendiculares ao chão, concentrando a energia numa área menor, como uma lanterna apontada de frente em vez de inclinada.
  • Os dias ficam mais longos. Há mais horas de Sol para aquecer e menos horas de noite para esfriar.

Solstícios e equinócios

  • Solstício de dezembro (por volta de 21 de dezembro): começa o verão no Hemisfério Sul. É o dia mais longo do ano para nós.
  • Solstício de junho (por volta de 21 de junho): começa o inverno no Hemisfério Sul, com o dia mais curto.
  • Equinócios (por volta de 20 de março e 22 de setembro): o Sol nasce exatamente no leste e se põe exatamente no oeste, e dia e noite têm durações parecidas em todo o planeta. Marcam o começo do outono e da primavera.

O Trópico de Capricórnio passa pelo Brasil

O Trópico de Capricórnio, a cerca de 23,4 graus de latitude sul, é a linha mais ao sul onde o Sol pode ficar exatamente a pino, ao meio-dia. Isso acontece no solstício de dezembro. A linha atravessa o Brasil, passando por estados como São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Em cidades sobre o trópico, ao meio-dia desse dia, os objetos quase não fazem sombra.

Estações no Brasil

Perto da linha do Equador, a altura do Sol muda pouco ao longo do ano e a duração do dia fica quase igual. Por isso, em boa parte do Norte e do Nordeste, as estações astronômicas fazem pouca diferença na temperatura, e o que marca o ano é a chuva: há uma estação chuvosa e uma seca. Já no Sul do país, mais distante do Equador, as quatro estações são bem marcadas, com invernos frios e até neve em algumas serras.

E nos outros planetas?

Marte tem inclinação parecida com a da Terra, cerca de 25 graus, e tem estações, só que duas vezes mais longas, porque o ano marciano dura quase dois anos terrestres. Urano, inclinado quase 98 graus, tem as estações mais extremas do Sistema Solar: cada polo passa cerca de 42 anos no claro e 42 no escuro.

Quem escreveuMesa de CiênciaTextos que explicam, sem pressa, como o universo funciona e como a ciência chegou até aqui.

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